{"id":10475,"date":"2020-02-29T09:59:24","date_gmt":"2020-02-29T12:59:24","guid":{"rendered":"https:\/\/liturgia.catequisar.com.br\/?p=10475"},"modified":"2020-02-29T10:04:21","modified_gmt":"2020-02-29T13:04:21","slug":"1o-domingo-da-quaresma-a","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/1o-domingo-da-quaresma-a\/","title":{"rendered":"1\u00ba Domingo da quaresma &#8211; A."},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meus\nqueridos irm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O tempo especial da Quaresma \u00e9, originariamente, considerado o\ntempo de prepara\u00e7\u00e3o para o sacramento do Batismo, via de regra, administrado\naos catec\u00famenos \u2013 adultos \u2013 na noite da P\u00e1scoa. Nesta perspectiva situa-se a\nrecorda\u00e7\u00e3o do pecado nas origens da humanidade: todos precisam ser salvos em\nCristo Jesus \u2013 o que \u00e9 o efeito do batismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A\nPrimeira Leitura deste domingo, retirada do Livro de G\u00eanesis(cf. Gn 2,7-9;3,17),\nnarra o pecado do ser humano, representado por Ad\u00e3o e por Eva, nas origens da\nhumanidade. Evoca o contraste entre o carinho do criador e a leviandade do ser\nhumano, que, tentado pelo desejo da experi\u00eancia do bem e do mal, com a ilus\u00e3o\nde se tornar igual a Deus, acaba encontrando-se nu e sem nada. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na\nteleologia da primeira leitura notamos que a primeira parte (cf. Gn 2,7-9) do\ntexto que nos \u00e9 proposto apresenta-nos dois quadros significativos. O primeiro\nquadro (vers. 7) pinta \u2013 com cores quentes e sugestivas \u2013 a origem do homem: \u201co\nSenhor Deus formou o homem do p\u00f3 da terra e insuflou-lhe nas narinas um sopro\nde vida\u201d. O verbo utilizado para descrever a a\u00e7\u00e3o de Deus \u00e9 o verbo \u201cyasar\u201d\n(\u201cformar\u201d, \u201cmodelar\u201d), que \u00e9 um verbo t\u00e9cnico ligado ao trabalho do oleiro.\nDeus aparece, assim, como um oleiro, que modela a argila. Estamos muito\npr\u00f3ximos das concep\u00e7\u00f5es mesopot\u00e2micas, onde o homem \u00e9 criado pelos deuses a\npartir do barro (o jogo de palavras \u201c\u2019adam\u201d \u2013 \u201chomem\u201d \u2013 e \u201c\u2019adamah\u201d \u2013 \u201cterra\u201d,\nsugere que o homem \u2013 \u201c\u2019adam\u201d \u2013 vem da \u201cterra\u201d \u2013 \u201c\u2019adamah\u201d \u2013 e, morrendo,\nvoltar\u00e1 \u00e0 terra de onde foi tirado). No entanto, o homem formado da terra n\u00e3o \u00e9\napenas terra, pois ele recebe tamb\u00e9m o \u201csopro\u201d (\u201cnesham\u00e1\u201d) de Deus. A palavra\nhebraica utilizada significa \u201csopro\u201d, \u201ch\u00e1lito\u201d, \u201crespira\u00e7\u00e3o\u201d. \u00c9 a vida que vem\nde Deus que torna o homem vivo. O homem tem qualquer coisa de divino; a vida do\nhomem procede, diretamente, de Deus. \u00c9 significativa a forma como o autor\nsagrado sublinha o cuidado de Deus na cria\u00e7\u00e3o do homem: Deus \u00e9 o oleiro que\nmodela cuidadosa e amorosamente a sua obra; e, ainda mais, transmite a esse\nhomem formado da terra a sua pr\u00f3pria vida divina. O homem aparece, assim, como\no centro do projeto criador de Deus: ele ocupa um lugar especial na cria\u00e7\u00e3o e \u00e9\npara ele que tudo vai ser criado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No\nsegundo quadro (vers. 8-9), o autor sagrado reflete sobre a situa\u00e7\u00e3o do homem\ncriado por Deus. Para que \u00e9 que Deus criou o homem? Para ser escravo dos deuses\ne prover ao sustento das divindades, como nos mitos mesopot\u00e2micos? N\u00e3o. Na\nperspectiva do nosso catequista, o homem foi criado para ser feliz, em comunh\u00e3o\ncom Deus. Para descrever a situa\u00e7\u00e3o ideal do homem, criado para a felicidade e\na realiza\u00e7\u00e3o plena, o autor sagrado coloca-o num \u201cjardim\u201d cheio de \u00e1rvores de\nfruta. Para um povo que sentia pesar constantemente sobre si a amea\u00e7a do\ndeserto \u00e1rido, o ideal de felicidade seria um lugar com muitas \u00e1rvores e muita\n\u00e1gua. Os mitos mesopot\u00e2micos apresentam, ali\u00e1s, as mesmas imagens.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No meio\ndessa vegeta\u00e7\u00e3o abundante, o autor coloca duas \u00e1rvores especiais: a \u201c\u00e1rvore da\nvida\u201d e a \u201c\u00e1rvore do conhecimento do bem e do mal\u201d. A \u201c\u00e1rvore da vida\u201d \u00e9 o\ns\u00edmbolo da imortalidade concedida ao homem. Provavelmente, ao falar da \u201c\u00e1rvore\nda vida\u201d, o autor est\u00e1 a pensar na \u201cLei\u201d: desde o in\u00edcio, Deus ofereceu ao\nhomem a possibilidade da vida plena e imortal, que passa por uma vida\npercorrida no caminho da Lei e dos mandamentos. Ao lado da \u201c\u00e1rvore da vida\u201d e em\ncontraposi\u00e7\u00e3o a ela (pois traz a morte), est\u00e1 a \u201c\u00e1rvore do conhecimento do bem\ne do mal\u201d. Provavelmente, representa o orgulho e a autossufici\u00eancia de quem\nacha que pode conquistar a sua pr\u00f3pria felicidade, prescindindo de Deus. \u201cComer\nda \u00e1rvore do conhecimento do bem e do mal\u201d significa fechar-se em si pr\u00f3prio,\nquerer decidir por si s\u00f3 o que \u00e9 bem e o que \u00e9 mal, p\u00f4r-se a si pr\u00f3prio em\nlugar de Deus, reivindicar autonomia total em rela\u00e7\u00e3o ao criador. O homem que\nrenuncia \u00e0 comunh\u00e3o com Deus est\u00e1 a seguir o caminho da morte. A ideia do nosso\ncatequista \u00e9 esta: Deus criou o homem para ser feliz; deu-lhe a possibilidade\nde vida imortal; mas o homem pode escolher prescindir de Deus e percorrer\ncaminhos onde Deus n\u00e3o est\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na\nsegunda parte do nosso texto (cf. Gn 3,1-7), o autor sagrado reflete sobre a\nquest\u00e3o do mal. De onde vem o mal que desfeia o mundo e que impede o homem de\nter vida plena? Esse mal \u2013 sugere o nosso te\u00f3logo \u2013 vem das op\u00e7\u00f5es erradas que,\ndesde o in\u00edcio da hist\u00f3ria, o homem tem feito. Para dizer isto, o autor sagrado\nrecorre \u00e0 imagem da serpente. Entre os povos antigos, a serpente aparece como\num s\u00edmbolo por excel\u00eancia da vida e da fecundidade (provavelmente por causa da\nsua configura\u00e7\u00e3o f\u00e1lica). Entre os cananeus, estava tamb\u00e9m bastante difundido o\nculto da serpente. Nos santu\u00e1rios cananeus invocavam-se os deuses da\nfertilidade (representados muitas vezes pela serpente) e realizavam-se rituais\nm\u00e1gicos destinados a assegurar a fecundidade dos campos. Ora, os israelitas,\ninstalados na Terra, depressa se deixaram fascinar por esses cultos e\npraticavam os rituais dos cananeus destinados a assegurar a vida e a\nfecundidade dos campos e dos rebanhos. No entanto, isso significava prescindir\nde Deus e abandonar o caminho da Lei e dos mandamentos. A \u201cserpente\u201d surge\naqui, portanto, como s\u00edmbolo de tudo o que afasta os homens de Deus e das suas\npropostas, sugerindo-lhes caminhos de orgulho, de ego\u00edsmo e de autossufici\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em\nconclus\u00e3o: Deus criou o homem para ser feliz e indicou-lhe o caminho da\nimortalidade e da vida plena; no entanto, o homem escolhe muitas vezes o\ncaminho do orgulho e da autossufici\u00eancia e vive \u00e0 margem de Deus e das suas\npropostas. Na opini\u00e3o do autor sagrado, \u00e9 essa a origem do mal que destr\u00f3i a\nharmonia do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A\nPalavra de Deus que hoje nos \u00e9 proposta responde: \u00e9 Deus a nossa origem e o\nnosso destino \u00faltimo. N\u00e3o somos um min\u00fasculo e insignificante gr\u00e3o de areia\nperdido numa gal\u00e1xia qualquer; mas somos seres que Deus criou com amor, a quem\nEle deu o seu pr\u00f3prio \u201csopro\u201d, a quem animou com a sua pr\u00f3pria vida. O fim\n\u00faltimo da nossa exist\u00eancia n\u00e3o \u00e9 o fracasso, a dissolu\u00e7\u00e3o no nada, mas a vida\ndefinitiva, a felicidade sem fim, a comunh\u00e3o plena com Deus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como \u00e9\nque chegamos a essa felicidade que est\u00e1 inscrita no projeto que Deus tem para\nos homens e para o mundo? Deus nada imp\u00f5e e respeita sempre \u2013 de forma absoluta\n\u2013 a nossa liberdade; no entanto, insiste em mostrar-nos, todos os dias, o\ncaminho para essa plenitude de vida que Ele sonhou para os homens. Quando\naceitamos a nossa condi\u00e7\u00e3o de criaturas e reconhecemos em Deus esse Pai que nos\nd\u00e1 vida, que nos ama e que nos indica caminhos de realiza\u00e7\u00e3o e de felicidade,\nconstru\u00edmos uma exist\u00eancia harmoniosa, um \u201cpara\u00edso\u201d onde encontramos vida,\nharmonia, felicidade e realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E o mal\nque vemos, todos os dias, tornar sombria e deprimente essa \u201ccasa\u201d que \u00e9 o\nmundo: vem de Deus ou do homem? A Palavra de Deus responde: o mal nunca vem de\nDeus; o mal resulta das nossas escolhas erradas, do nosso orgulho, do nosso\nego\u00edsmo e autossufici\u00eancia. Quando o homem escolhe viver orgulhosamente s\u00f3,\nignorando as propostas de Deus e prescindindo do amor, constr\u00f3i cidades de\nego\u00edsmo, de injusti\u00e7a, de prepot\u00eancia, de sofrimento, de pecado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meus\ncaros irm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por sua\nvez, a Segunda Leitura, da Carta aos Romanos(Rm 5,12.17-19 \u2013 f\u00f3rmula breve), \u00e9\no coment\u00e1rio do Ap\u00f3stolo S\u00e3o Paulo sobre o mesmo epis\u00f3dio: se, solid\u00e1rios com\nAd\u00e3o, todos pecam e morrem, muito mais encontram a justi\u00e7a, a amizade com Deus,\nem Cristo, pelo qual a gra\u00e7a e a vida entram em nossa exist\u00eancia. A morte\nf\u00edsica, para Paulo, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 aquele <strong><em>\u201ccastigo de Ad\u00e3o\u201d,<\/em><\/strong> mas a\ntransforma\u00e7\u00e3o da vida, conforme o ensinamento de 1Cor 15,35-53.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No\nfinal da d\u00e9cada de 50 (a Carta aos Romanos apareceu por volta de 57\/58),\nmultiplicavam-se as \u201ccrises\u201d entre os crist\u00e3os oriundos do mundo judaico e os\ncrist\u00e3os oriundos do mundo pag\u00e3o. Uns e outros tinham perspectivas diferentes\nda salva\u00e7\u00e3o e da forma de viver o compromisso com Jesus Cristo e com o seu\nEvangelho. Os crist\u00e3os de origem judaica consideravam que, al\u00e9m da f\u00e9 em Jesus\nCristo, era necess\u00e1rio cumprir as obras da Lei (nomeadamente a pr\u00e1tica da\ncircuncis\u00e3o) para ter acesso \u00e0 salva\u00e7\u00e3o; mas os crist\u00e3os de origem pag\u00e3\nrecusavam-se a aceitar a obrigatoriedade das pr\u00e1ticas judaicas. Era uma quest\u00e3o\n\u201cquente\u201d, que amea\u00e7ava a unidade da Igreja. Este problema tamb\u00e9m era sentido\npela comunidade crist\u00e3 de Roma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste\ncen\u00e1rio, S\u00e3o Paulo vai mostrar a todos os fi\u00e9is (a Carta aos Romanos, mais do\nque uma carta para a comunidade crist\u00e3 de Roma, \u00e9 uma carta para as comunidades\ncrist\u00e3s, em geral) a unidade da revela\u00e7\u00e3o e da hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o: judeus e\nn\u00e3o judeus s\u00e3o, de igual forma, chamados por Deus \u00e0 salva\u00e7\u00e3o; o essencial n\u00e3o \u00e9\ncumprir a Lei de Mois\u00e9s \u2013 que nunca assegurou a ningu\u00e9m a salva\u00e7\u00e3o; o essencial\n\u00e9 acolher a oferta de salva\u00e7\u00e3o que Deus faz a todos, por Jesus Cristo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O texto\nque nos \u00e9 proposto faz parte da primeira parte da Carta aos Romanos (cf. Rom\n11,18-11,36). Depois de demonstrar que todos (judeus e n\u00e3o judeus) vivem\nmergulhados no pecado (cf. Rom 1,18-3,20) e que \u00e9 a justi\u00e7a de Deus que a todos\nsalva, sem distin\u00e7\u00e3o (cf. Rom 3,21-5,11), Paulo ensina que \u00e9 atrav\u00e9s de Jesus\nCristo que a vida de Deus chega aos homens e que se faz oferta de salva\u00e7\u00e3o para\ntodos (cf. Rom 5,12-8,39).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para deixar bem claro que a salva\u00e7\u00e3o foi oferecida por Deus aos homens atrav\u00e9s de Jesus Cristo, S\u00e3o Paulo recorre aqui a uma figura liter\u00e1ria que aparece, com alguma frequ\u00eancia, nos seus escritos: a ant\u00edtese. Em concreto, S\u00e3o Paulo vai expor o seu racioc\u00ednio atrav\u00e9s de um jogo de oposi\u00e7\u00f5es entre duas figuras: Ad\u00e3o e Jesus. Ad\u00e3o \u00e9 a figura de uma humanidade que prescinde de Deus e das suas propostas e que escolhe caminhos de ego\u00edsmo, de orgulho e de autossufici\u00eancia. Ora, essa escolha produz injusti\u00e7a, aliena\u00e7\u00e3o, sofrimento, desarmonia. Porque a humanidade preferiu, tantas vezes, esse caminho, o mundo entrou numa economia de pecado; e o pecado gera morte.A morte deve ser entendida, neste contexto, em sentido global \u2013 quer dizer, n\u00e3o tanto como morte f\u00edsico-biol\u00f3gica, mas sobretudo como morte espiritual e escatol\u00f3gica que \u00e9 afastamento tempor\u00e1rio ou definitivo de Deus (a fonte da vida aut\u00eantica).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"> Cristo prop\u00f4s um outro caminho. Ele viveu numa permanente escuta de Deus e das suas propostas, na obedi\u00eancia total aos projetos do Pai. Esse caminho leva \u00e0 supera\u00e7\u00e3o do ego\u00edsmo, do orgulho, da autossufici\u00eancia e faz nascer um Homem Novo, plenamente livre, que vive em comunh\u00e3o com o Deus que \u00e9 fonte de vida aut\u00eantica (a vit\u00f3ria de Cristo sobre a morte \u00e9 a prova provada de que s\u00f3 a comunh\u00e3o com Deus produz vida definitiva). Foi essa a grande proposta que Cristo fez \u00e0 humanidade. Assim, Cristo libertou os homens da economia de pecado e introduziu no mundo uma din\u00e2mica nova, uma economia de gra\u00e7a que gera vida plena (salva\u00e7\u00e3o). <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o \u00e9\nclaro que Paulo se esteja a referir, aqui, \u00e0quilo que a teologia posterior\ndesignou como \u201cpecado original\u201d (ou seja, um pecado hist\u00f3rico cometido pelo\nprimeiro homem, que atinge e marca todos os homens que nascerem em qualquer\ntempo e lugar). O que \u00e9 claro \u00e9 que, para Paulo, a interven\u00e7\u00e3o de Cristo na\nhist\u00f3ria humana se traduziu num dinamismo de esperan\u00e7a, de vida nova, de vida\naut\u00eantica. Cristo veio propor \u00e0 humanidade um caminho de comunh\u00e3o com Deus e de\nobedi\u00eancia aos seus projetos; \u00e9 esse caminho que conduz o homem em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 vida\nplena e definitiva, \u00e0 salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Alguns\nacontecimentos que marcam a hist\u00f3ria do nosso tempo confirmam que uma hist\u00f3ria\nconstru\u00edda \u00e0 margem das propostas de Deus \u00e9 uma hist\u00f3ria marcada pelo ego\u00edsmo,\npela injusti\u00e7a, pela prepot\u00eancia e, portanto, \u00e9 uma hist\u00f3ria de sofrimento e de\nmorte. Quando o homem deixa de dar ouvidos a Deus, d\u00e1 ouvidos ao lucro f\u00e1cil,\ndestr\u00f3i a natureza, explora os outros homens, torna-se injusto e prepotente,\nsacrifica em proveito pr\u00f3prio a vida dos seus irm\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estimados\nIrm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O tempo\nda Quaresma \u00e9 inaugurado com a recorda\u00e7\u00e3o das tenta\u00e7\u00f5es do deserto. Jesus tem\nque tomar uma decis\u00e3o: ou os bens do mundo, ou os bens do Reino. Depois de ser\nbatizado, Jesus, antes de come\u00e7ar a vida p\u00fablica, vive no deserto em jejum e em\nora\u00e7\u00e3o durante quarenta dias. Jesus veio ao mundo para recri\u00e1-lo, isto \u00e9, para\nlevar as criaturas \u00e0 sua origem primitiva com um destino divino e eterno. O\ncen\u00e1rio de hoje lembra o tema do para\u00edso terrestre. Neste para\u00edso, Ad\u00e3o e Eva\ncome\u00e7avam a grande miss\u00e3o de povoar a terra, de criarem uma fam\u00edlia de Deus, um\npovo que fosse a alegria e o prolongamento da Sant\u00edssima Trindade. L\u00e1 nossos\nprimeiros pais, tentados pelo dem\u00f4nio e pelo mal, sucumbiram. Fracassou, aos\nolhos humanos, o plano amoroso de Deus. Jesus, agora como Novo Ad\u00e3o(cf. 1 Cor\n15,45), ao come\u00e7ar a nova cria\u00e7\u00e3o, passa pelas mesmas tenta\u00e7\u00f5es, vence o\ndem\u00f4nio e ganha, por assim dizer, o direito de reabrir as portas do para\u00edso e\nconstruir o Reino dos C\u00e9us, a nova fam\u00edlia do Senhor Deus na terra, neste vale\nde l\u00e1grimas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As\nmesmas tenta\u00e7\u00f5es de Ad\u00e3o e de Jesus s\u00e3o as tenta\u00e7\u00f5es dos homens e das mulheres\nde hoje, as nossas tenta\u00e7\u00f5es. O Evangelho de hoje narra um epis\u00f3dio de nosso\nquotidiano. Tenta\u00e7\u00f5es que adv\u00eam de uma dura op\u00e7\u00e3o: ou optamos pelos valores\ndivinos e retornamos ao para\u00edso, fazendo o caminho chamado Jesus, ou nos\ncontentaremos com os valores passageiros e ef\u00eameros deste mundo, curtindo o\nangustiado desejo de ser deus(cf. Gn 3,5), em permanente conflito com o Senhor\ne sem passagem entre terra e c\u00e9u. A \u00fanica ponte poss\u00edvel para a vida eterna \u00e9 <strong>CRISTO.<\/strong>\nPara fazer esta ponte Jesus <em>\u201cviveu em tudo a condi\u00e7\u00e3o humana, exceto o\npecado\u201d(cf. Hb 4,15).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meus\nqueridos irm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ad\u00e3o e Eva foram tentados, no para\u00edso, pela gula, irm\u00e3 g\u00eamea da\ncobi\u00e7a. Neste domingo(cf. Mt 4,1-11), o dem\u00f4nio relembra, com um p\u00e9 no para\u00edso\nde Ad\u00e3o e com outro na miss\u00e3o de Jesus, tenta-o transformar pedras em p\u00e3o. A\ncobi\u00e7a \u00e9 a primeira tenta\u00e7\u00e3o a nossa an\u00e1lise. Ser\u00e1 menos a tenta\u00e7\u00e3o de matar a\nfome e mais a tenta\u00e7\u00e3o de ter. Jesus viera transformar os cora\u00e7\u00f5es de pedra das\ncriaturas humanas em cora\u00e7\u00f5es-morada do Esp\u00edrito Santo. Isso para que o cora\u00e7\u00e3o\nhumano procurasse as coisas de Deus, as alegrias eternas, e n\u00e3o as coisas\npassageiras do mundo ef\u00eamero. O dem\u00f4nio coloca a cobi\u00e7a, que \u00e9 a m\u00e3e de todos\nos v\u00edcios como meta para Jesus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A\nsegunda tenta\u00e7\u00e3o colocada pelo dem\u00f4nio \u00e9 o poder, irm\u00e3o da soberba e do\norgulho. Poder absoluto. Que n\u00e3o deve contas e obedi\u00eancia a ningu\u00e9m. Ser Deus.\nAd\u00e3o, em frontal desobedi\u00eancia a Deus, desejou at\u00e9 mesmo o poder sobre a morte.\nA Jesus \u00e9 proposto o poder sobre as leis da natureza, o poder sobre os anjos. O\ndem\u00f4nio oferece o que os homens sempre desejaram: ter tudo em suas m\u00e3os e nada\ndividir com ningu\u00e9m. Quem quer isso \u00e9 o homem ego\u00edsta e orgulhoso. Isso porque\nJesus viera para divinizar o homem e dar-lhe poderes excepcionais, mas sempre\nem comunh\u00e3o com Deus e com o pr\u00f3ximo. O dem\u00f4nio coloca a soberba como a m\u00e3e de\ntodas as divis\u00f5es, inimiga declarada da fraternidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A terceira tenta\u00e7\u00e3o colocada pelo dem\u00f4nio \u00e9 a domina\u00e7\u00e3o, a partir\ndo <strong><em>\u201cconhecer o bem e o mal\u201d<\/em><\/strong>. Jesus viera como Senhor do mundo.\nTodas as criaturas lhe estavam sujeitadas. Mas viera para servir e n\u00e3o para\ndominar. Jesus veio para ser o servo dos servos de todos, e servir com\ngratuidade. Jesus no Lava-p\u00e9s demonstrou qual deve ser a atitude dos crist\u00e3os:\nsempre servir, lavar os p\u00e9s dos irm\u00e3os, se colocar como aquele que serve,\nservindo com generosidade e desprendimento, por amor, por sumo amor!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Caros\nirm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A\nquest\u00e3o essencial que a Palavra de Deus hoje nos prop\u00f5e \u00e9, portanto, esta:\nJesus recusou, de forma absoluta, conduzir a sua vida \u00e0 margem de Deus e das\nsuas propostas. Para Ele, s\u00f3 uma coisa \u00e9 verdadeiramente decisiva e\nfundamental: a comunh\u00e3o com o Pai e o cumprimento obediente do seu projeto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando\no homem esquece Deus e as suas propostas, e se fecha no ego\u00edsmo e na autossufici\u00eancia,\nfacilmente cai na escravid\u00e3o de outros deuses que, no entanto, est\u00e3o longe de\nassegurar vida plena e felicidade duradoura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Deixar-se\nconduzir pela tenta\u00e7\u00e3o dos bens materiais, do acumular mais e mais, do\nsubordinar toda a vida \u00e0 l\u00f3gica do \u201cter mais\u201d, \u00e9 seguir o caminho de Jesus?\nOlhar apenas para o seu pr\u00f3prio conforto e comodidade, fechar-se \u00e0 partilha e\n\u00e0s necessidades dos outros, pagar sal\u00e1rios de mis\u00e9ria e malbaratar fortunas em\nnoitadas de jogo ou em coisas sup\u00e9rfluas\u2026 \u00e9 seguir o exemplo de Jesus?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estimados\namigos,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As\ntenta\u00e7\u00f5es est\u00e3o em toda \u00e0 parte e est\u00e3o em confronto permanente com o dem\u00f4nio.\nJesus passando pelo deserto, passando pelas mesmas tenta\u00e7\u00f5es do povo que saiu\ndo ex\u00edlio, \u00e9 duramente tentado. Assim, n\u00f3s homens e mulheres, sofremos no dia a\ndia as mesmas tenta\u00e7\u00f5es: na intimidade da casa, a tenta\u00e7\u00e3o do p\u00e3o. Na\nintimidade com Deus, a tenta\u00e7\u00e3o de ficar ausente da vida de Deus e a terceira\ntenta\u00e7\u00e3o nos trabalhos di\u00e1rios, aonde somos muitas vezes tentados a viver a\naus\u00eancia de Deus e a auto-sufici\u00eancia. No equil\u00edbrio e desempenho dessas tr\u00eas\ndimens\u00f5es est\u00e1 a santidade. Por isso, o dem\u00f4nio se faz presente como\nperturbador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Somos\nchamados a combater o mal e o dem\u00f4nio no dia a dia. Somos chamados a caminhar\npara o deserto, para a busca de Deus, para o nosso encontro com a Trindade\nSant\u00edssima. \u00c0s tenta\u00e7\u00f5es do ter, do poder e do dominar, que est\u00e3o no sangue da\ngente desde a desgra\u00e7a de Ad\u00e3o, Jesus veio propor o desapego, a fraternidade e\no servi\u00e7o generoso e gratuito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje,\nJesus sai da cruz das tenta\u00e7\u00f5es e sobre esta vit\u00f3ria constr\u00f3i o Reino, a\nmaneira humano-divina de viver na terra, que Ad\u00e3o n\u00e3o soube fazer. Jesus hoje \u00e9\nvitorioso sem o alarde do milagre. Na Sexta-Feira Santa Ele n\u00e3o desce da Cruz,\nporque nela estava a vit\u00f3ria definitiva do desapego, do servi\u00e7o, da\nfraternidade, que geram vida e paz, gra\u00e7a e amor, verdade e salva\u00e7\u00e3o. Fa\u00e7amos\nde nosso retiro quaresmal, de penit\u00eancia e convers\u00e3o, a busca continua do rosto\nsereno e radioso de Deus, no desapego, no amor, no servi\u00e7o generoso e na\ncaridade que gera fraternura. Assim Seja!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura..<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Somos chamados a combater o mal e o dem\u00f4nio no dia a dia. 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