{"id":10405,"date":"2020-02-21T10:30:20","date_gmt":"2020-02-21T13:30:20","guid":{"rendered":"https:\/\/liturgia.catequisar.com.br\/?p=10405"},"modified":"2020-02-21T10:34:42","modified_gmt":"2020-02-21T13:34:42","slug":"7o-domingo-do-tempo-comum-a","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/7o-domingo-do-tempo-comum-a\/","title":{"rendered":"7\u00ba Domingo do Tempo Comum &#8211; A"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A liturgia deste s\u00e9timo domingo\ndo Tempo Comum nos apresenta a perfei\u00e7\u00e3o, lembrando do chamado da Igreja: Sede\nperfeitos como vosso Pai. Para chegarmos a ser santos como Deus \u00e9 santo, todos\nos batizados s\u00e3o convidados a amar como Deus ama. Esta forma de amar consiste,\nessencialmente, em fazer o bem indistintamente a todos. Isso exige,\nprimeiramente, a pr\u00e1tica da mansid\u00e3o: \u201cOuvistes o que foi dito: \u2018Olho por olho\ne dente por dente\u2019. Eu por\u00e9m, vos digo: n\u00e3o resistais ao homem mau; antes,\n\u00e0quele que te fere na face direita, oferece-lhe, tamb\u00e9m a esquerda\u201d(cf. Mt\n5,38-39). E Jesus termina esta parte, dizendo: \u201cD\u00e1 ao que te pede e n\u00e3o voltes\nas costas ao que te pede emprestado\u201d(cf. Mt 5,42). A liturgia do s\u00e9timo Domingo\ndo Tempo Comum convida-nos \u00e0 santidade, \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o. Sugere que o \u201ccaminho\ncrist\u00e3o\u201d \u00e9 um caminho nunca acabado, que exige de cada homem ou mulher, em cada\ndia, um compromisso s\u00e9rio e radical (feito de gestos concretos de amor e de\npartilha) com a din\u00e2mica do \u201cReino\u201d. Somos, assim, convidados a percorrer o\nnosso caminho de olhos postos nesse Deus santo que nos espera no final da\nviagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Caros irm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A primeira leitura(Lv\n19,1-2.17-18) nos apresenta um apelo veemente \u00e0 santidade: viver na comunh\u00e3o\ncom o Deus santo, exige o ser santo. Na perspectiva do autor do nosso texto, a\nsantidade passa tamb\u00e9m pelo amor ao pr\u00f3ximo. Todos n\u00f3s sabemos que o Livro do\nLev\u00edtico trata de quest\u00f5es preferencialmente relacionadas com o culto, que era\nincumb\u00eancia dos sacerdotes, considerados membros da tribo de Levi. A literatura\nlev\u00edtica apresenta-se como um discurso de Jahw\u00e9h, no qual este explica ao seu\nPovo o que deve fazer para viver sempre em comunh\u00e3o com Deus. Apresenta um\nconjunto de leis, de preceitos, de ritos, quase sempre relacionados com o\nculto, que o Povo deve praticar, para viver como Povo de Deus.\nFundamentalmente, o Lev\u00edtico preocupa-se em instalar na consci\u00eancia dos fi\u00e9is\nque a comunh\u00e3o com o Deus vivo \u00e9 a verdadeira voca\u00e7\u00e3o do homem. No s\u00e9timo\ndomingo do tempo comum o texto que nos \u00e9 proposto pertence \u00e0 quarta parte do\nLivro do Lev\u00edtico (cf. Lv 17-26), conhecida como \u201clei da santidade\u201d. O nome prov\u00e9m\ndo refr\u00e3o insistentemente repetido: \u201csede santos porque Eu, o vosso Deus, sou\nsanto\u201d (Lv 19,2; 20,7; 21,8; 22,16\u2026).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na teologia de Israel,\nJahw\u00e9h \u00e9 o Deus \u201csanto\u201d, quer dizer, transcendente, incompar\u00e1vel, inef\u00e1vel,\ninating\u00edvel, perfeito. Este Deus santo elegeu Israel, chamou-o, distinguiu-o\nentre todos os povos da terra, fez alian\u00e7a com Ele. Introduzido na comunh\u00e3o com\nDeus, Israel participa da santidade de Deus. \u00c9, portanto, um Povo \u00e0 parte,\nseparado dos outros, cuja voca\u00e7\u00e3o consiste na comunh\u00e3o com o Deus santo. Esta\n\u201celei\u00e7\u00e3o\u201d conduz, necessariamente, \u00e0 exig\u00eancia de santidade: o Povo tem de\nviver de acordo com determinadas regras para manter esta comunh\u00e3o de vida com\nDeus. Da\u00ed que o Lev\u00edtico apresente as leis que devem orientar a vida do Povo, a\nfim de que ele possa manter-se na \u00f3rbita do Deus santo e testemunhar a\nsantidade de Deus no mundo. Neste \u201cc\u00f3digo da santidade\u201d, encontramos os temas\nmais diversos. Uma parte significativa das leis aqui propostas dizem respeito \u00e0\nvida cultual (cf. Lv 17-18; 21-22); mas outras dizem respeito \u00e0 vida social\n(cf. Lv 19).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A primeira leitura de\nhoje come\u00e7a com o refr\u00e3o posto na boca de Deus: \u201csede santos porque Eu, o vosso\nDeus, sou santo\u201d (vers. 2). A comunh\u00e3o com o Deus santo exige que o Povo\ncultive, por sua vez, a santidade. Ora, ser santo significa o qu\u00ea? Na \u201clei da\nsantidade\u201d, temos disposi\u00e7\u00f5es que dizem respeito \u00e0s mais variadas dimens\u00f5es da\nvida; mas neste caso, em concreto, liga-se a quest\u00e3o da santidade com o\ncomportamento \u201cjusto\u201d para com os irm\u00e3os, membros da comunidade do Povo de\nDeus. Os membros do Povo santo s\u00e3o convidados a arrancar as ra\u00edzes do mal que\ncrescem no \u00edntimo do homem, de forma a que nos seus cora\u00e7\u00f5es n\u00e3o haja \u00f3dio, nem\nrancor contra o irm\u00e3o (vers. 17-18). A express\u00e3o final \u201camar\u00e1s o teu pr\u00f3ximo\ncomo a ti mesmo\u201d (vers. 18) resume o comportamento que a santidade exige,\nquanto \u00e0 vida fraterna. \u00c9, na opini\u00e3o do rabbi Aqiba (que viveu entre 50 e 135\nd.C.), \u201cum princ\u00edpio fundamental da Lei\u201d. Jesus retomar\u00e1 esta afirma\u00e7\u00e3o\n(combinada com a de Dt 6,5) para exprimir o essencial da Lei de Mois\u00e9s (cf. Mt\n22,37-39).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cSede santos porque Eu, o\nvosso Deus, sou santo\u201d. Porque \u00e9 que o convite \u00e0 santidade soa como algo de\nestranho para os homens de hoje? Porque uma certa mentalidade contempor\u00e2nea v\u00ea\nos santos como extraterrestres, seres estranhos que pairam um pouco acima das\nnuvens sem se misturar com os outros seus irm\u00e3os e que passam ao lado dos\nprazeres da vida, ocupados em conquistar o c\u00e9u a golpes de ren\u00fancia, de\nsacrif\u00edcio e de longos trabalhos asc\u00e9ticos. No entanto, a santidade n\u00e3o \u00e9 uma\nanormalidade, mas uma exig\u00eancia da comunh\u00e3o com Deus. \u00c9 o \u201cestado normal\u201d de\nquem se identifica com Cristo, assume a sua filia\u00e7\u00e3o divina e pretende caminhar\nao encontro da vida plena, do Homem Novo. Como a primeira leitura deixa claro,\nser santo n\u00e3o significa viver de olhos voltados para Deus esquecendo os homens;\nmas a santidade implica um real compromisso com o mundo. Passa pela constru\u00e7\u00e3o\nde uma vida de verdadeira rela\u00e7\u00e3o com os irm\u00e3os; e isso implica o banimento de\nqualquer tipo de agressividade, de vingan\u00e7a, de rancor; implica uma preocupa\u00e7\u00e3o\nreal com a felicidade e a realiza\u00e7\u00e3o do outro (\u201ccorrigir\u00e1s o teu pr\u00f3ximo\u201d);\nimplica amar o outro como a si mesmo. &nbsp;Para\nque a santidade n\u00e3o seja uma miragem, temos de ter o cuidado de viver num cont\u00ednuo\nprocesso de convers\u00e3o, que elimine do nosso cora\u00e7\u00e3o as ra\u00edzes do mal,\nrespons\u00e1veis pelo ego\u00edsmo, pelo \u00f3dio, pela injusti\u00e7a, pela explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Prezados fi\u00e9is,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Evangelho(cf. Mt\n5,38-48), Jesus continua a propor aos disc\u00edpulos, de forma muito concreta, a\nsua Lei da santidade (no contexto do \u201cserm\u00e3o da montanha\u201d). Hoje, Ele pede aos\nseus que aceitem inverter a l\u00f3gica da viol\u00eancia e do \u00f3dio, pois esse \u201ccaminho\u201d\ns\u00f3 gera ego\u00edsmo, sofrimento e morte; e pede-lhes, tamb\u00e9m, o amor que n\u00e3o marginaliza\nnem discrimina ningu\u00e9m (nem mesmo os inimigos). \u00c9 nesse caminho de santidade\nque se constr\u00f3i o \u201cReino\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 claro que Jesus n\u00e3o\nensina seus filhos e filhas a serem trouxas. A pessoa pode defender-se e exigir\nque se fa\u00e7a justi\u00e7a. Mas, em todo esse processo ela \u00e9 chamada a praticar a\nmansid\u00e3o, a n\u00e3o usar de viol\u00eancia e a buscar o bem da pessoa que a prejudicou.\nJesus convida \u00e0 generosidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jesus continua: \u201cOuvistes\no que foi dito: \u2018Amar\u00e1s o teu pr\u00f3ximo e odiar\u00e1s o teu inimigo\u2019. Eu, por\u00e9m, vos\ndigo: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; deste modo vos\ntornarei filhos de vosso Pai que est\u00e1 nos c\u00e9us, porque ele faz nascer o seu sol\nigualmente sobre maus e bons e cair a chuva sobre justos e injustos\u201d (cf. Mt\n5,44-45).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Trata-se de amar a todos;\ntamb\u00e9m os inimigos. Como isso \u00e9 dif\u00edcil ou at\u00e9 parece ser imposs\u00edvel! Amar,\nquerer o bem ao pr\u00f3ximo, ao que nos faz o bem \u00e9 mais f\u00e1cil e at\u00e9 prazeroso.\nAmar os inimigos exige uma dupla atitude: perdoar e fazer o bem a ele. Ali\u00e1s, o\nperd\u00e3o \u00e9 o primeiro bem que lhe fazemos. \u00c9 dar de novo, dar muitas vezes. Dar o\nqu\u00ea? O amor. Amar, aqui, n\u00e3o \u00e9 um mero sentimento de gostar, mas querer o bem e\nfazer o bem a ele. Deus n\u00e3o exige que gostemos dos inimigos. Isso n\u00e3o depende\nda gente. Gostar \u00e9 um sentimento que nem sempre est\u00e1 sob o dom\u00ednio da vontade.\nMas podemos sempre querer e fazer bem ao pr\u00f3ximo, inclusive aos inimigos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Prezados irm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesta semana, na leitura\ndo Evangelho continuamos com o \u201cdiscurso da montanha\u201d e com a apresenta\u00e7\u00e3o da\n\u201cnova Lei\u201d que deve conduzir a caminhada crist\u00e3.<br>\nVimos, no passado domingo, como S\u00e3o Mateus estava preocupado em definir, para\nos crist\u00e3os vindos do juda\u00edsmo, a rela\u00e7\u00e3o entre Cristo e a Lei de Mois\u00e9s. Os\ncrist\u00e3os continuam obrigados a cumprir a Lei de Mois\u00e9s? Jesus n\u00e3o aboliu a Lei\nantiga? O que h\u00e1 de verdadeiramente novo na mensagem de Jesus? A perspectiva de\nMateus \u00e9 que Jesus n\u00e3o veio abolir a Lei, mas lev\u00e1-la \u00e0 plenitude. No entanto,\nconsidera Mateus, a Lei tornou-se um conjunto de prescri\u00e7\u00f5es que s\u00e3o cumpridas\nmecanicamente, dentro de uma l\u00f3gica casu\u00edstica que, tantas vezes, n\u00e3o tem nada\na ver com o cora\u00e7\u00e3o e com a vida. \u00c9 preciso que a Lei deixe de ser um conjunto\nde preceitos externos a cumprir para conquistar a salva\u00e7\u00e3o, para se tornar\nexpress\u00e3o de um verdadeiro compromisso com Deus e com o \u201cReino\u201d. Vimos como S\u00e3o\nMateus apresentava um conjunto de exemplos, destinados a tornar mais clara e\nconcreta esta perspectiva. Dos seis exemplos apresentados por Mateus, quatro\napareceram no Evangelho do passado domingo; para hoje, ficam os dois \u00faltimos\nexemplos dessa lista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O primeiro exemplo que o\nEvangelho de hoje nos prop\u00f5e (o quinto da lista) refere-se \u00e0 chamada \u201clei de\ntali\u00e3o\u201d (vers. 38-42). A \u201clei de tali\u00e3o\u201d, consagrada na conhecida f\u00f3rmula \u201colho\npor olho, dente por dente\u201d, aparece em v\u00e1rios textos v\u00e9tero-testament\u00e1rios (cf.\nEx 21,24; Lv 24,20; Dt 19,21). Em si, \u00e9 uma lei razo\u00e1vel, destinada a evitar as\nvingan\u00e7as excessivas, brutais, indiscriminadas. Jesus, no entanto, n\u00e3o se d\u00e1\npor satisfeito com uma lei que apenas limita os excessos na vingan\u00e7a, e prop\u00f5e\numa l\u00f3gica inteiramente nova. Na sua perspectiva, n\u00e3o chega manter a vingan\u00e7a\ndentro de fronteiras razo\u00e1veis, mas \u00e9 preciso acabar com a espiral de viol\u00eancia\nde uma vez por todas; para isso, Jesus prop\u00f5e que os membros do \u201cReino\u201d sejam\ncapazes de interromper o curso da viol\u00eancia, assumindo uma atitude pac\u00edfica, de\nn\u00e3o resist\u00eancia, de n\u00e3o resposta \u00e0s provoca\u00e7\u00f5es. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para tornar mais clara a\nsua proposta, Jesus apresenta quatro casos concretos. No primeiro (vers. 39),\npede que n\u00e3o se responda com a mesma moeda \u00e0quele que nos agride fisicamente,\nmas que se desarme o violento oferecendo a outra face; no segundo (vers. 40),\nrecomenda que, diante de uma exig\u00eancia exorbitante (entrega da t\u00fanica, isto \u00e9,\nda pe\u00e7a de roupa mais fundamental, que n\u00e3o era tirada sen\u00e3o \u00e0quele que era\nvendido como escravo \u2013 cf. Gn 37,23), se responda entregando ainda mais (a\nentrega da capa, vestimenta que servia para proteger dos rigores da noite e\nque, por isso, a pr\u00f3pria Lei n\u00e3o admitia que fosse retida, sen\u00e3o por um dia \u2013\ncf. Ex 22,25; Dt 24,12-13); no terceiro (vers. 41), exige que se acompanhe por\nduas milhas aquele que quer for\u00e7ar-nos a acompanh\u00e1-lo por uma (provavelmente,\nhaver\u00e1 aqui uma refer\u00eancia a uma pr\u00e1tica frequente das patrulhas romanas que,\ndesorientadas, requisitavam os habitantes da Palestina para que as guiassem\ndurante algum tempo); no quarto (vers. 42), Jesus recomenda que n\u00e3o se ignore,\nnem se deixe sem atender aquele que pede dinheiro emprestado. Este conjunto de\nexemplos concretos aponta numa \u00fanica dire\u00e7\u00e3o: os membros da comunidade de Jesus\ndevem manifestar a todos um amor sem medida, que vai muito al\u00e9m daquilo que \u00e9\nhumanamente exigido. Dessa forma, eles inauguram uma nova era de rela\u00e7\u00f5es entre\nos homens. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O segundo exemplo que o\nEvangelho de hoje nos apresenta (o sexto da lista) refere-se ao amor aos\ninimigos (vers. 43-48). Jesus afirma que a Lei antiga recomendava: \u201cama o teu\npr\u00f3ximo e odeia o teu inimigo\u201d\u2026 No entanto, embora haja na Lei antiga uma\nrefer\u00eancia ao amor ao pr\u00f3ximo (cf. Lv 19,18), n\u00e3o se refere, em lado nenhum, o\n\u00f3dio aos inimigos (o verbo \u201codiar\u201d pode significar, nas l\u00ednguas semitas,\nsimplesmente \u201cn\u00e3o amar\u201d; no entanto, certos grupos contempor\u00e2neos de Jesus\ndefendiam o \u00f3dio aos inimigos: a seita ess\u00eania de Q\u00fbmran, por exemplo, pregava\no \u00f3dio contra os \u201cfilhos das trevas\u201d \u2013 isto \u00e9, contra aqueles que n\u00e3o\npertenciam \u00e0 comunidade ess\u00eania e que estavam, portanto, entregues \u00e0 vingan\u00e7a\ndivina). <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em qualquer caso, o amor\nao pr\u00f3ximo recomendado pela Lei havia adquirido, na \u00e9poca de Jesus, um sentido\nmuito restrito: era o amor a esse pr\u00f3ximo mais chegado que, quando muito,\nchegava a incluir todos os israelitas, mas que n\u00e3o atingia, em nenhum caso, os\nn\u00e3o membros do Povo eleito. Quando muito, o amor ao pr\u00f3ximo atingia, na vis\u00e3o\njudaica, o compatriota, aquele que pertencia \u00e0 comunidade do Povo de Deus. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pedido de Jesus\napresenta, portanto, uma verdadeira novidade e exige uma aut\u00eantica revolu\u00e7\u00e3o\ndas mentalidades. Para Jesus, n\u00e3o chega amar aquele que est\u00e1 pr\u00f3ximo, aquele a\nquem me sinto ligado por la\u00e7os \u00e9tnicos, sociais, familiares ou religiosos; mas\no amor deve atingir todos, sem exce\u00e7\u00e3o, inclusive os inimigos. Fica, assim,\nabolida qualquer discrimina\u00e7\u00e3o; s\u00e3o abatidas todas as barreiras que separam os\nhomens. Qual o motivo desta exig\u00eancia? \u00c9 porque Deus tamb\u00e9m n\u00e3o faz\ndiscrimina\u00e7\u00e3o no seu amor. Ele \u00e9 o Pai que n\u00e3o distingue entre amigos e\ninimigos, que faz brilhar o sol e envia a chuva sobre bons e maus, que oferece\no seu amor a todos, inclusive aos indignos (vers. 45). O amor universal de Deus\n\u00e9 a raz\u00e3o do amor que os membros do \u201cReino\u201d devem oferecer a todos os homens e\nmulheres que Deus coloca no seu caminho. \u201cSer filho de Deus\u201d significa dar\ntestemunho do amor de Deus e parecer-se com Deus no modo de agir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A express\u00e3o final (\u201csede\nperfeitos como o vosso Pai celeste \u00e9 perfeito\u201d) parafraseia o refr\u00e3o da \u201clei da\nsantidade\u201d que encontramos na primeira leitura (\u201csede santos porque Eu, o vosso\nDeus, sou santo\u201d) e resume, de forma magn\u00edfica, o ensinamento que Mateus\npretende apresentar \u00e0 sua comunidade com estes seis exemplos (os quatro do\npassado domingo e os dois de hoje): viver na din\u00e2mica do \u201cReino\u201d exige a\nsupera\u00e7\u00e3o de uma perspectiva legalista e casu\u00edstica, para viver em comunh\u00e3o\ntotal com Deus, deixando que a vida de Deus, que enche o cora\u00e7\u00e3o do crente, se\nmanifeste na vida do dia-a-dia, inclusive nas rela\u00e7\u00f5es fraternas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Portanto o Evangelho\ndeste domingo recorda-me que, ao aceitar o desafio de viver em comunh\u00e3o com\nDeus, eu sou chamado a dar testemunho da vida de Deus diante de todos os meus irm\u00e3os\ne a ser um sinal vivo de Deus, do seu amor, da sua perfei\u00e7\u00e3o, da sua santidade,\nno meio do mundo. O Evangelho de hoje coloca, mais uma vez, como cen\u00e1rio de\nfundo, as exig\u00eancias do compromisso com o \u201cReino\u201d. Sugere que viver na din\u00e2mica\ndo \u201cReino\u201d implica, n\u00e3o o cumprimento de ritos ou de leis, mas uma atitude\nnova, revolucion\u00e1ria, que resulta de um compromisso interior com Deus\nverdadeiramente assumido, e manifestado em atitudes concretas. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Exige a supera\u00e7\u00e3o de uma\nreligi\u00e3o feita de leis, de c\u00f3digos, de ritos, de gestos externos e o viver em\ncomunh\u00e3o com Deus, de tal forma que a vida de Deus encha o cora\u00e7\u00e3o do crente e\ntransborde em gestos de amor para com os irm\u00e3os. Jesus pede, aos que aceitaram\nembarcar na aventura do \u201cReino\u201d, a supera\u00e7\u00e3o de uma l\u00f3gica de vingan\u00e7a, de\nresponder na mesma moeda, e o assumir uma atitude pac\u00edfica de n\u00e3o resposta \u00e0s\nprovoca\u00e7\u00f5es, que inverta a espiral de viol\u00eancia e que inaugure um novo esp\u00edrito\nnas rela\u00e7\u00f5es entre os homens. N\u00e3o \u00e9, no entanto, esta a l\u00f3gica do mundo, mesmo\ndo mundo \u201ccrist\u00e3o\u201d: em nome do direito de leg\u00edtima defesa ou do direito de\nresposta, as na\u00e7\u00f5es em geral e as pessoas em particular recusam enveredar por\numa l\u00f3gica de paz e respondem ao mal com um mal ainda maior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Caros irm\u00e3os,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na segunda leitura, S\u00e3o\nPaulo(cf. 1Cor 3,16-23) convida os crist\u00e3os de Corinto \u2013 e os crist\u00e3os de todos\nos tempos e lugares \u2013 a serem o lugar onde Deus reside e Se revela aos homens.\nPara que isso aconte\u00e7a, eles devem renunciar definitivamente \u00e0 \u201csabedoria do\nmundo\u201d e devem optar pela \u201csabedoria de Deus\u201d (que \u00e9 dom da vida, amor gratuito\ne total). Continuamos no contexto da comunidade crist\u00e3 de Corinto. Depois de\napresentar a \u201csabedoria de Deus\u201d, revelada em Jesus Cristo (sobretudo atrav\u00e9s\nda \u201cloucura da cruz\u201d) e oferecida aos homens (cf. 1 Cor 1,18-2,16), Paulo constata\nque os cor\u00edntios ainda n\u00e3o acolheram essa sabedoria: mant\u00eam-se na dimens\u00e3o do\nhomem carnal (isto \u00e9, do homem fraco, limitado, pecador, escravo das suas\npaix\u00f5es e apetites), imaturos na f\u00e9; cultivam as divis\u00f5es e os conflitos, em\nflagrante contradi\u00e7\u00e3o com o que Jesus lhes ensinou; correm atr\u00e1s de mestres\nhumanos como se eles tivessem a chave da felicidade e da realiza\u00e7\u00e3o plena,\nesquecendo que, por detr\u00e1s de Paulo ou de Apolo, est\u00e1 Deus (cf. 1 Cor 3,1-15).\nAo viverem, ainda, de acordo com a \u201csabedoria do mundo\u201d, os cor\u00edntios est\u00e3o a\nser infi\u00e9is \u00e0 sua voca\u00e7\u00e3o: n\u00e3o d\u00e3o testemunho de Deus e n\u00e3o o tornam presente\nno mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 por isso que S\u00e3o Paulo\npergunta: \u201cN\u00e3o sabeis que sois Templo de Deus e que o Esp\u00edrito de Deus habita\nem v\u00f3s?\u201d O Templo de Jerusal\u00e9m \u00e9, no contexto do Antigo Testamento, a\nresid\u00eancia de Deus, o lugar por excel\u00eancia da presen\u00e7a de Deus no meio do seu\nPovo. \u00c9 a\u00ed que Israel encontra o seu Deus e estabelece comunh\u00e3o com Ele. Mas\nagora, considera S\u00e3o Paulo, \u00e9 a comunidade crist\u00e3 que \u00e9 o verdadeiro Templo da\nnova alian\u00e7a, isto \u00e9, o lugar onde Deus reside, onde ele se manifesta aos\nhomens e onde ele oferece a salva\u00e7\u00e3o. Ora, ser Templo de Deus (lugar onde Deus\nreside no mundo e onde os homens encontram Deus) ser\u00e1 compat\u00edvel com uma\nexist\u00eancia onde a preocupa\u00e7\u00e3o fundamental \u00e9 procurar a \u201csabedoria do mundo\u201d? A\ncomunidade de Corinto pode ser Templo de Deus onde reside o Esp\u00edrito e viver no\nconflito, na divis\u00e3o, no ci\u00fame, no confronto? Na segunda parte deste texto\n(vers. 18-23), Paulo exorta os cor\u00edntios a deixarem, definitivamente, a\n\u201csabedoria do mundo\u201d e a pautarem a sua exist\u00eancia pela \u201csabedoria de Deus\u201d\n(que \u00e9 amor at\u00e9 ao extremo, que \u00e9 dom da vida, que \u00e9 cruz). E Paulo volta a\nrecordar: a \u201csabedoria de Deus\u201d parece ser loucura aos olhos do mundo; mas \u00e9\nnessa \u201cloucura\u201d que reside o segredo da vida em plenitude.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;A \u00faltima frase do nosso texto \u00e9 muito rica:\n\u201ctudo \u00e9 vosso; mas v\u00f3s sois de Cristo, e Cristo \u00e9 de Deus\u201d (vers. 23). Deve ser\ncompreendida em fun\u00e7\u00e3o de 1 Cor 1,12: \u201ccada um de v\u00f3s diz: \u2018eu sou de Paulo; e\neu de Apolo; e eu de Cefas\u2019\u201d\u2026 \u201cN\u00e3o \u00e9 assim\u201d, esclarece Paulo. \u201cV\u00f3s n\u00e3o\npertenceis a estes pregadores; eles \u00e9 que vos pertencem a v\u00f3s, pois s\u00e3o vossos\nservidores. Eles est\u00e3o ao vosso servi\u00e7o para que v\u00f3s descubrais Cristo e a\n\u2018loucura da cruz\u2019 e, para que por Cristo, o mediador da salva\u00e7\u00e3o, chegueis a\nDeus\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os crist\u00e3os s\u00e3o Templo de\nDeus, onde reside o Esp\u00edrito. Isso quer dizer, em concreto, que, animados pelo\nEsp\u00edrito, eles t\u00eam de ser o sinal vivo de Deus e as testemunhas da sua salva\u00e7\u00e3o\ndiante dos homens do nosso tempo. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Podemos e devemos faz\u00ea-lo\nporque Deus o faz assim. Ele faz nascer o seu sol sobre bons e maus. Deus o faz\nassim, porque Jesus Cristo d\u00e1 sua vida em favor de todos. Porque todos, bons e\nmaus, justos e injustos, s\u00e3o igualmente objeto de amor e de perd\u00e3o de Deus,\nchamados todos a participarem da comunh\u00e3o de vida e de amor de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na alegria de sermos\nperfeitos no amor, como Jesus nos convida, \u00e9 cultivar em n\u00f3s esta atitude de\nbenqueren\u00e7a! Assim viveremos o verdadeiro amor no meio dos naturais conflitos e\nlimita\u00e7\u00f5es, que pervadem o conv\u00edvio humano. O amor cria o bem, gera a vida,\ntransforma nossa pr\u00f3pria pessoa e a sociedade!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura..<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O amor cria o bem, gera a vida, transforma nossa pr\u00f3pria pessoa e a sociedade!<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10407,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_lmt_disableupdate":"","_lmt_disable":"","footnotes":""},"categories":[4975],"tags":[],"class_list":["post-10405","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-anob2020"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v26.9 (Yoast SEO v26.9) - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-premium-wordpress\/ -->\n<title>7\u00ba Domingo do Tempo Comum - A - Portugal<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"O amor cria o bem, gera a vida, transforma nossa pr\u00f3pria pessoa e a sociedade!\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/7o-domingo-do-tempo-comum-a\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"7\u00ba Domingo do Tempo Comum - A\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"O amor cria o bem, gera a vida, transforma nossa pr\u00f3pria pessoa e a sociedade!\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/7o-domingo-do-tempo-comum-a\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Liturgia di\u00e1ria\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2020-02-21T13:30:20+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2020-02-21T13:34:42+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/18-7-domingo-comum.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"750\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"350\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Anderson\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Anderson\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"18 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/7o-domingo-do-tempo-comum-a\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/7o-domingo-do-tempo-comum-a\/\"},\"author\":{\"name\":\"Anderson\",\"@id\":\"https:\/\/catequisar.com.br\/liturgia\/#\/schema\/person\/17356e59f62dbc0826c8e730849bca9d\"},\"headline\":\"7\u00ba Domingo do Tempo Comum &#8211; 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