Meditações
 
Sereis minhas testemunhas até aos confins da terra
 
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Pentecostes desencadeou o principal ato dos Atos dos Apóstolos: o anúncio da Boa-Nova, do Jesus Cristo Ressuscitado! E isto, feito na força do Espírito Santo, de um modo imediato, destemido, convincente e persistente! Esta foi a promessa do Pai, o Batismo no Espírito Santo (Act 1,5), a qual foi reforçada por Jesus quando disse: "O Espírito Santo descerá sobre vós e d'Ele recebereis a força para serdes minhas testemunhas … até aos confins da terra" (Act 1,8).

Será hoje assim a nossa vivência como cristãos? Que importância damos ao testemunho?

No fundo, a vida cristã resume-se ao cumprimento da vontade de Deus, tendo como modelo Jesus Cristo, Seu Filho. Mas, quantas vezes imitamos Cristo sem convicção? Quantas, de um modo ritual, O procuramos nos sacramentos, ou na prática da caridade? E, quantas vezes, com uma só finalidade: a nossa própria salvação.

S. Paulo, porém, dá a pedra de toque: o amor. Não o auto-amor, que Cristo não disse: "Ama-te a ti mesmo, como eu te amei" mas disse: "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei". Pois o amor é dom, é caridade. Mas também não chega ter amor, o que pode degenerar num processo passivo. Deus chama-nos a "ser Amor", dinâmica diferente, nesta caminhada de transformação para a santidade. Jesus pediu ao Pai aquilo que sabe é a nossa tendência espiritual natural, ou seja, sermos um só, como Ele e o Pai são um só. No Plano de Deus, seremos um só com a Santíssima Trindade. Para isso, não basta ter amor, é preciso que nos transformemos em Amor.

Mas, como nos transformamos em amor?

Deixando que o Amor de Deus atue em nós, nos toque, nos inspire, nos guie, nos leve a transformar em Cristo.

O Amor de Deus, que é o Espírito Santo, nos penetrará até ao mais íntimo do nosso ser, e nos transformará, num processo progressivo.

Já no dia do nosso batismo, Deus gravou-nos na carne esta Lei de Amor, infundindo em nós a força do Seu Espírito. Mas, infelizmente, muitos passamos, por circunstâncias várias, por um processo de estiolamento, atrofia e indiferença espiritual, e afastamo-nos de Deus.
Mas muitos voltamos!

E quantas vezes através do testemunho verdadeiro de um irmão!

Foi essa a finalidade de Pentecostes! Formar verdadeiras testemunhas do Amor de Deus, para que mais almas se convertessem e tivessem conhecimento do Cristo Ressuscitado.

E é o Pentecostes que marca a diferença nas comunidades. A vida cristã sob o Senhorio do Espírito Santo, embutida no Amor de Deus, distingue o cristão quente e entusiasta, do cristão frio ou morno, tíbio e cinzento. Pentecostes leva à prática do amor fraterno, à renúncia de si mesmo, pondo-nos ao serviço do Reino, pois é esse o verdadeiro Evangelho.
Pentecostes hoje?

Sim, pentecostes hoje! Pentecostes não foi só no passado, como Cristo o não é. Experiências fortes de Efusão do Espírito estão descritas em toda a Bíblia, com os Profetas, com Moisés ou o rei David, por exemplo. Jesus teve-as, os Padres, os santos também. O Espírito sopra onde e para onde quer, mas assiste a quem o pede com sinceridade de coração, numa caminhada de transformação ao serviço dos outros.

E estes pequenos pentecostes, toques ou efusões do Espírito, que vamos recebendo, são uma experiência continuada, não única ou isolada. Sabemos que hoje continua a acontecer pentecostes nas nossas comunidades. Que o Espírito vem e nos transforma. A força da oração, da adoração, a vontade de nos dispormos a testemunhá-lo, na nossa humilde condição pecadora, leva o Amor de Deus a dar frutos em nós, para que o nosso testemunho seja alegre e verdadeiro, forte e eficaz!

Pentecostes foi uma promessa de Cristo, mas não "caiu do céu de repente", nem "cai sobre as nossas cabeças" por acaso. Deus, porque nos ama, torna-se-nos sensível, faz-se presente, mas é gratuidade e respeita a nossa liberdade. Por isso, a oração no cenáculo durante cerca de 10 dias e que precedeu o Pentecostes, foi determinante para a vinda do Espírito Santo, porque Deus viu a sinceridade dos seus corações.

"Tudo o que pedirdes em meu nome, o Pai vo-lo concederá". Peçamos o maior tesouro, o Espírito Santo. Deus no-lo ofertará, e a Sua Alegria, será na medida do que fizermos com Ele.

António Macedo
Grupo Pneumavita, Lisboa



 
 
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