Meditações
 
Seminários de vida nova no Espírito
 
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No Renovamento Carismático, a efusão do Espírito é precedida de um Seminário de iniciação à vida no Espírito, que tem uma duração de sete semanas. Os que participam nesse Seminário são levados, semana após semana, dia após dia, a uma experiência do amor de Deus, à conversão, à aceitação de Jesus como Senhor e como Salvador, a uma abertura de todo o ser para receber uma nova efusão do Espírito e para aprender a crescer e a caminhar com Ele. No fim da quarta semana faz-se uma paragem no caminho. É o momento de pedir ao Senhor que batize com o Seu Espírito, que submerja todos no mar do seu fogo e da sua vida.

O grupo que faz o Seminário Reuniu-se numa assembléia de oração ou num dia de retiro. Ali está, com freqüência, o grupo inteiro. Todos se preparam para o momento da efusão ou batismo. São convidados a reconciliar-se com o Senhor através do sacramento da Penitência e a perdoar a todos, para evitar qualquer obstáculo que possa impedir a ação do Espírito.

Em alguns casos renovam-se as promessas do batismo e a renúncia a Satanás. Tudo está preparado. Os que vão receber a efusão fazem um pequeno círculo, umas vezes de joelhos, outras sentados. A comunidade rodeia-os, impõe as mãos sobre eles e começam a rezar por eles. É o momento de entregar definitivamente a vida ao Senhor e de pedir-lhe que venha com o seu Espírito renová-la por inteiro. O clamor de todos é unânime.

Todos pedem a mesma coisa. A oração pode prolongar-se por alguns minutos, lê-se uma passagem da Escritura, canta-se em línguas, convida-se à pessoa a abrir-se totalmente ao Dom de Deus. O ambiente pode estar carregado de emoção ou de uma grande paz e serenidade. Espera-se, com fé, que o Senhor responda à súplica do grupo e que batize com o poder do seu Espírito aqueles irmãos que estão na sua presença.

"Não há nenhuma fórmula fixa nem técnicas especiais para assegurar a recepção do Espírito. A efusão do Espírito é um acontecimento em que se encontram Deus e o homem: o homem que quer entregar a sua vida ao Senhor e lhe pede com desejo ardente que venha enchê-la, e o Espírito que batiza e inunda com a sua graça, como resposta a essa entrega e a essa petição".

A súplica da comunidade e a dos que pedem a efusão do Espírito unem-se num mesmo clamor: "Que o Espírito venha atualizar tudo o que já ofereceu no dia do batismo, que dê rédea solta ao seu poder e aos seus carismas, que desperte todas as energias latentes depositadas no alma! Que efetue no seu ser a mesma transformação que operou na vida dos discípulos e na dos primeiros cristãos!"

Esta oração faz-se, normalmente, mediante a imposição das mãos. Impor as mãos sobre alguém não é um rito mágico nem um rito sacramental, mas um simples gesto de amor e de solidariedade. Trata-se de um gesto bem conhecido em todas as religiões e muito praticado no Antigo e no Novo Testamento.

No Antigo Testamento fazia-se com o rito de oferecer um sacrifício (Lev 1,3), na consagração dos levitas (Num 8,10), para dar uma bênção (Gén 48,14) etc. No Novo Testamento usava-se para curar os enfermos (Mc 5,23; 7,32; 8,23-25, Act 9,12-17; 28,8); no batismo (Act 8,17-19; 19,5) e para dar a bênção a quem recebia funções ou cargos da Igreja (Act 6,6; 13,3; 1Tim 4,14; 2Tim 1,6).

É um gesto de acompanhamento e de proximidade. O que impõe as mãos está ali, junto ao que está enfermo, junto ao que se batiza, junto ao que recebe um cargo na Igreja, faz causa comum com eles, sente-se irmanado com eles, pede para eles o que desejaria para si mesmo, suplica a Deus que derrame o Seu Espírito sobre eles.

A comunidade cristã é um só corpo, o corpo de Cristo. "Tudo o que afeta os outros afeta-me diretamente a mim, sinto-me solidário com os homens que estão aí, diante de mim, sinto-me seu irmão. São como a minha própria carne, desejo o melhor para eles, desejo-o de todo coração. A sua necessidade é a minha necessidade, a sua vida é a minha vida".


Pe. Vicente Borragán Mata, OP
in "Como um Vendaval... O Renovamento Carismático", ed. Pneuma



 
 
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