Meditações
 
A dimensão carismática da Igreja
 
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Enquanto sacramento de Cristo, a Igreja torna-nos participantes na unção de Cristo, pelo Espírito. O Espírito Santo permanece na Igreja como um perpétuo Pentecostes, e faz dela o Corpo de Cristo, o Povo de Deus, enchendo-a do Seu poder, renovando-a sem cessar, chamando-a a proclamar o senhorio de Jesus para glória do Pai. Esta in-habitação do Espírito na Igreja e nos corações dos cristãos como num templo é um dom para toda a Igreja: "Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?" (1 Cor 3, 16; cfr. 6, 19). O dom primordial feito à Igreja não é senão o do próprio Espírito Santo. Com Ele vêm os dons gratuitos do Espírito, isto é, os carismas.

O Espírito Santo, que é dado a toda a Igreja, faz-se visível e tangível através de diversos ministérios; todavia, não se confunde com eles. Como manifestações visíveis do Espírito, os carismas estão ordenados para o serviço da Igreja e do mundo, mais do que para a perfeição dos indivíduos que os recebem. Como tais, eles pertencem à própria natureza da Igreja. Está portanto fora de questão que um grupo ou movimento particular, no seio da Igreja, reivindique uma espécie de monopólio do Espírito e dos Seus carismas.

Se o Espírito e os seus carismas são inerentes à Igreja no seu conjunto, então são constitutivos da vida cristã e das suas diversas expressões, comunitárias ou individuais. Na comunidade cristã, não há, em termos de direito, membros passivos, desprovidos de qualquer função ou ministério. "Há diversidade de dons, mas é o mesmo Espírito; diversidade de ministérios, mas é o mesmo Senhor; diversos modos de ação, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos. Cada um recebe o dom de manifestar o Espírito em vista do bem de todos" (1 Cor 12, 4-7).

Neste sentido, todos os cristãos são carismáticos, e todos são desde logo investidos num ministério ao serviço da Igreja e do mundo.

Os carismas são, contudo, de importância desigual. Aqueles que estão mais diretamente ordenados para a edificação da comunidade possuem uma maior dignidade. "Vós sois o Corpo de Cristo; cada um por sua parte é os seus membros. Aqueles que Deus estabeleceu na Igreja são, primeiramente, os apóstolos, em segundo lugar, os profetas, e em terceiro lugar os que estão encarregados de ensinar; vêm de seguida, o dom dos milagres, depois o de cura, o de assistência, o de direção e o dom de falar em línguas" (1 Cor 12, 27-28).

in "Documento de Malines I" (coordenação do Cardeal Suenens), ed. Pneuma



 
 
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