Meditações
 
Missão, tarefa de todos
 
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A situação do mundo quebra todas as indiferenças. São eloquentes as imagens que chegam, as notícias que circulam, os relatos que se ouvem, os apelos que se fazem. Felizmente, há quem erga a voz e clame, quem aceite sujar as mãos em prol dos mais necessitados, quem se disponha a dedicar a vida para sempre a minorar males, a sensibilizar consciências, a organizar tarefas de promoção, a ajudar a “pôr de pé” aqueles que estão prostrados e agonizantes nos caminhos da vida.

A missão nasce da nossa comum humanidade. Os humanos são irmãos. Porquê tanta malvadez e injustiça, desigualdades e prepotências?! Quem se sente irmão não pode sossegar perante a miséria dos outros. Pelo contrário, mobiliza recursos e desencadeia ondas de solidariedade crescente e envolvente. O resultado vê-se na partilha de bens, na dedicação do tempo, na difusão de notícias a partir das vítimas e não tanto das organizações do poder.

Quem vive a fé convictamente sabe que, por vontade clara de Jesus Cristo, é preciso abrir todas as fronteiras do coração e realizar a missão de ajudar os outros a descobrir que são amados de Deus, que são chamados a ser membros de uma comunidade onde têm nome e voz, que lhes está confiada uma tarefa de grande humanização: a de construir uma sociedade onde valha a pena viver e ser feliz.

Quem experimenta a alegria de dar sem receber nada em troca, reconhece o valor da vida do missionário que deixa tudo e parte para as zonas mais inóspitas e aí permanece o tempo que for indispensável para, à maneira de mãe solícita, aprender muito de quem pretende ajudar e realizar as iniciativas indispensáveis à promoção libertadora de todos, sem discriminações.

A missão é tarefa de todos. Exige-o a situação provocante do mundo, a nossa comum humanidade, a fé cristã assumida conscientemente, a felicidade contagiante de tantos missionários religiosos e leigos. Celebrar a “festa da missão” – a expressão é de João Paulo II – é aceitar confrontar-se com o amor universal de Deus que nos foi confiado e, honestamente, procurar ser coerentes com alegria e generosidade.

Georgino Rocha



 
 
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