Meditações
 
A evangelização na força do Espírito Santo
 
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O Espírito Santo, como dom pascal, torna a Igreja participante da autoridade de Jesus. Assim, vemos que os apóstolos são ricos em valentia que os faz falar de Jesus sem medo. Os adversários maravilhavam-se, "sabendo que eram homens sem instrução nem cultura" (At 4,13). Também Paulo, graças ao dom do Espírito da nova Aliança, pode afirmar com toda a verdade: "Tendo pois esta esperança, falamos com toda a valentia" (2Cor 3,12).

Esta força do Espírito é mais necessária do que nunca para o cristão do nosso tempo, a quem se pede que dê testemunho da sua fé, num mundo muitas vezes indiferente, senão hostil. Trata-se de uma força de que necessitam, sobretudo os pregadores, que devem voltar a propor o Evangelho, sem ceder perante os compromissos e os falsos atalhos, anunciando a verdade de Cristo “a tempo e a destempo" (2Tim 4,2).

O Espírito Santo confere também ao anúncio, um caráter de atualidade sempre renovada, para que a pregação não caia numa vazia repetição de fórmulas, e numa fria aplicação de métodos. Com efeito, os pregadores devem estar ao serviço da "nova Aliança", que não é "da letra" que mata, mas "do Espírito" que dá vida (2Cor 3,6).

É uma exigência particularmente vital hoje, para a "nova evangelização". Esta será verdadeiramente nova no fervor, nos métodos e nas expressões, se quem anuncia as maravilhas de Deus e fala em seu nome, escutar antes a palavra de Deus e for dócil ao Espírito Santo. Por isso é fundamental a contemplação, feita de escuta e oração. Se o arauto não orar, acabará por "pregar-se a si mesmo" (cf 2Cor 4,5) e as suas palavras serão "palavreado profano" (2Tim 2, 16).

Por fim, o Espírito acompanha e estimula a Igreja a evangelizar na unidade e a construir a unidade. Pentecostes teve lugar quando os discípulos "estavam todos reunidos num mesmo lugar" (at 2,1) e todos "perseveravam na oração" (at 1, 14). Depois de ter recebido o Espírito Santo, Pedro faz o seu primeiro discurso à multidão, "apresentando-se com os onze" (at 2,14): é o ícone de um anúncio coral, que deve continuar assim, mesmo quando os arautos estejam dispersos pelo mundo.

Anunciar Cristo sob o impulso do único Espírito, neste terceiro milênio, requer de todos os cristãos um esforço concreto e generoso, com vista à comunhão plena. Trata-se de uma grande obra do ecumenismo, que há que secundar com esperança sempre renovada e com empenho concreto, mesmo que os tempos e o êxito estejam nas mãos do Pai, que nos pede humilde prontidão para acolher os seu desígnios e as inspirações interiores do Espírito.

Catequese de SS João Paulo II
Adaptado por Pneuma-RC



 
 
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