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Sorrir faz a vida mais simples
 
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Às vezes valorizamos de modo particular um sorriso. Nos momentos de angústia, quando temos dúvidas e medos, quando tememos o futuro e tudo é incerto. Nesses momentos um sorriso vale ouro, é um tesouro. Custa-nos tanto dá-lo e apreciamos como se fosse a coisa mais preciosa quando o recebemos. 

Existem pessoas que não sorriem nem mesmo com cócegas. A seriedade delas é uma coisa que atinge os outros. Quando se vive assim, tão esmagado pela vida, às vezes não é possível sorrir. E quando não sorrimos esquecemos a luz da vida.

As pessoas sérias acreditam que tudo é importante, transcendente, grave. Vêem mal qualquer tipo de brincadeira e é como se uma risada, um sorriso, tirasse o peso e o valor daquilo que temos nas mãos. Tudo parece muito sério. 

Talvez falte alegria na alma e ingenuidade para olhar a vida com mais confiança e sem medo. O padre José Kentenich, dizia: “A ausência de Deus no tempo presente significa uma falta muito profunda de alegria na nossa época, uma carência de alegria profundamente radicada, que vem ganhando terreno”.

Talvez muitos não sorriem mais porque perderam a esperança, porque não encontram mais motivos para rir. E talvez muitas pessoas perderam a alegria porque não vêem mais Deus na própria vida e não confiam em um amor providente, em um Deus que os ama até a morte.

Quando é assim, falta a verdadeira alegria, aquela da alma, aquela que vem de Deus e não das circunstâncias da vida. É a alegria da qual ansiamos, aquela que ninguém pode tirar. Talvez ninguém pudesse nos impedir de sorrir.

Comovo-me em ver as pessoas anciãs que sorriem sempre. Nós as saudamos e elas sorriem, damos um pouco de afeto e elas respondem com um largo sorriso. Parece que estão tristes, mas depois sorriem imediatamente. 

Gostaria de me tornar ancião com um sorriso marcado na alma. Um sorriso eterno, que deriva de Deus. Um sorriso que traz alegria aos outros. Porque sorrir torna a vida mais fácil, abre portas, amplia caminhos, eleva a alma e acolhe com os braços abertos. 

É verdade que em questões importantes a seriedade é necessária, mas frequentemente um sorriso torna tudo mais simples, também as coisas sérias.

Às vezes tenho medo de me tornar um sacerdote muito sério. Sempre preocupado, concentrado, oprimido. É o temor de pensar que os anos possam tirar o brilho da vida, a luz do dia, a alma das coisas. Ajuda muito olhar as crianças e sua alegria.

Sorrir como as crianças, sem temer nada porque nos sentimos seguros. Confiar e sorrir. Repousar e sorrir, como as crianças.

Padre Carlos Padilla

 
 

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