Ser missionário
 
As nações caminharão à tua luz
 
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O desânimo provocado pela dramática experiência do exílio e as dificuldades encontradas ao longo do caminho de uma prolongada e dura reconstrução deixam a impressão de que o mundo inteiro esteja envolvido na escuridão e nas trevas: "Pois, eis que a treva cobre a terra e a escuridão envolve os povos" (Is 60,2a). Com efeito, essa sensação de tristeza genera-lizada não conhece nem obstáculos nem fronteiras e ninguém fica imune ao seu terrível veneno que mata a solidariedade e faz esquecer a grandeza das promessas de Deus.

O desânimo e a tristeza do povo são tão profundos que acabam escondendo o rosto de Deus e enfraquecendo a vontade de viver, mas, sobretudo fazem perder o rumo e o sentido da história. A essa triste condição dos repatriados, imediatamente depois do exílio, o profeta opõe uma visão esplêndida da Jerusalém futura, envolvida pela luz de Javé. Por esse motivo, a cidade torna-se ponto de encontro de todas as nações e, conseqüentemente, centro de louvor universal.

O texto de Is 60 é, reconhecidamente, um dos grandes poemas da última parte do livro (Is 56-66) que canta, de forma magnífica e sublime, a presença luminosa de Javé. Ele é a luz que ilumina a cidade de Jerusalém, a qual, por sua vez, recebe a missão de irradiar a mesma luz (Javé) para iluminar os caminhos dos outros povos. "Levanta, resplandece, porque a tua luz vem, e a glória de Javé brilha sobre ti. Pois, eis que a treva cobre a terra, e a escuridão envolve os povos, mas sobre ti brilha Javé e a sua glória aparece sobre ti.

E caminharão as nações à tua luz, e os reis ao esplendor do teu brilho" (Is 60,1-3). Observando a cidade devastada e em ruínas, o profeta tem a sensação de que o mundo inteiro está totalmente mergulhado nas trevas (v.2). O sofrimento e a dor parecem não ter fim: "Esperamos a luz, e eis a treva; a claridade, mas caminhamos na escuridão" (Is 59,9b).

Inesperadamente, explode a luz de uma aurora fantástica em que o próprio Javé se manifesta como luz resplandecente! Os dois imperativos: "levanta, resplandece", que o profeta dirige à cidade, são particularmente significativos. O convite a "levantar" indica a necessidade de sair da situação de miséria e de abandono para voltar à vida; o convite a "resplandecer" mostra a necessidade de sair do desânimo e da tristeza que paralisa a vida, para renovar a esperança de um futuro 'luminoso'.

A experiência mostra que, também no fim de uma longa noite densamente tenebrosa, há sempre uma aurora de luz! Se, portanto, a noite da tristeza e do desânimo pode esconder o rosto de Deus, a luz de um novo alvorecer não só pode revelar a luminosidade divina, mas atenua e faz esquecer a amargura da dor e do sofrimento. Por esse motivo, em contrapo-sição a uma escuridão considerada universal, porque "cobre a terra e envolve os povos", o profeta, um pouco mais adiante, afirma sem sombra de dúvida, que essa aurora é o início de um dia sem ocaso:

"Não terás mais o sol como luz do dia, nem o clarão da lua te iluminará, mas terás Javé como luz para sempre, e o teu Deus como teu esplendor. O teu sol não voltará a pôr-se, e a tua lua não minguará, porque terás Javé como luz para sempre, e terminarão os dias do teu luto" (60,19-20). Em outros termos, o profeta incentiva seus contemporâneos a redesco-brirem a autenticidade da própria missão.

De fato, ela consiste, essencialmente, não só na reconstrução dos muros (60,10) e do santuário (60,13-17), mas em ser testemunha, para que todas as nações "caminhem à tua luz (Javé)". Isso quer dizer que a missão de Israel e a nossa exige um esforço constante de 'irradiação', pois "Esta é a mensagem que ouvimos dele e vos anunciamos: Deus é luz e nele não há treva alguma" (1 Jo 1,5).

Autor: Sergio Bradanini
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