Sagrada Família
 
Movidos pelo Espírito
 
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Celebrar a festa da Sagrada Família é uma oportunidade de conhecer um pouco mais o que Deus quer de nós e ao mesmo tempo, conhecer um pouco do Deus que é família. Nós conhecemos a Deus através da revelação que faz de Si próprio.

E para se comunicar conosco, usa nossas categorias, nosso modo de viver e pensar. Do contrário, continuaria incomunicável. Quando falamos de família, buscamos o exemplo. Por isso a oração da missa reza: “Ó Deus, que nos destes a Sagrada Família como exemplo, concedei-nos imitar em nossos lares suas virtudes” (Coleta). Mas os textos falam mais da ação do Espírito Santo. As pessoas que aparecem são conduzidas pelo Espírito: Maria, à sombra do Espírito, concebeu o Filho de Deus (Lc 1,35).

O mesmo Espírito a conduz, como conduzirá Jesus (Mt 4,1). Simeão é movido pelo Espírito que estava com Ele (Lc 2,27). O mesmo se pode dizer de Ana que é profetisa pela vida, pela idade e fé. Ana é profeta, vivendo sob o Espírito e apresentando Jesus ao mundo. Essa é a primeira maneira de ser família: viver conduzidos pelo Espírito Santo. Estar à sombra do Espírito é gerar Cristo nas atitudes da vida. O salmo reza: “Feliz és tu que temes o Senhor e trilhas seus caminhos. Do trabalho de tuas mãos hás de viver, será feliz, tudo irá bem” (Sl 127,1-2).

Nós nos preocupamos muito com a situação atual da família. É uma situação complicada em uma sociedade que procura desmoralizar todos os valores cristãos e que, na realidade, são também valores humanos. Qual será o resultado disso? Maria e José tiveram problemas com o Filho que seria sinal de contradição levando dor à mãe que terá a alma transpassada por uma espada (Lc 2,34-35). O remédio para a atual situação é o Espírito Santo que nos abre para ver a presença de Deus nos acontecimentos, e destes o maior, a própria família. Por que o Espírito Santo? Ele é o elo de unidade da Trindade. Por isso, se acabarmos com a família, não teremos mais condição de conhecer a Deus. Não será esta a fonte do ateísmo moderno?

Revesti-vos das virtudes de Cristo

O Espírito Santo traduz o amor de Deus em atos e hábitos nas circunstâncias de cada dia nos relacionamentos. O Espírito que nos veste com as vestes da salvação (Is 61,10), reveste-nos de Cristo (Rm 13,14) e nos reveste com os sentimentos de Cristo: misericórdia, bondade, humildade, mansidão, paciência, perdão e amor, que é vínculo de perfeição (Cl 3,12). A família aprenderá todos estes sentimentos na Palavra de Deus que habita em nós com toda sua riqueza (Cl 3,16). A ligação da família com a comunidade é o modo prático de salvá-la. Ocorre também a boa catequese, sobretudo por parte dos sacerdotes e bispos que são os pais da família paroquial e diocesana. Temos que nos deixar guiar pelo Espírito.

Simeão e Ana

São muito claras as figuras dos dois anciãos Simeão e Ana, curtidos na fé pelo Espírito Santo. Os jovens pais, Maria e José, ouvem atentos os pais do povo de Deus. O Eclesiástico ensina o valor do quarto mandamento no respeito aos pais, mesmo envelhecidos. Garante que Deus nos perdoará e ouvirá nossa oração (Eclo 3,3-7.14-17). O ancião não pode ser descartado. Devem ser cheios do Espírito. A família da Igreja, ao celebrar a Eucaristia, fortalece a família saciado-a com o Corpo e Sangue do Senhor.
Leituras: Eclesiástico 3,3-7.14-17;Salmo 127; Colossenses 3,12-21; Lucas 2,22-40.
Ficha nº 774 – Homilia da Festa da Sagrada Família (28.12.08)

1. Celebrar a festa da Sagrada Família é um conhecer um pouco mais o que Deus quer de nós e do Deus que é família. Deus se revela com nossas categorias. A liturgia apresenta a Família de Jesus como modelo, mas os textos se dirigem mais à ação do Espírito Santo. Os personagens são todos movidos pelo Espírito Santo: Maria, Simeão, Ana. Eis a primeira maneira de ser família é viver conduzidos pelo Espírito Santo e a sua sombra, gerar Cristo nas atitudes da vida.
Ele é o remédio para a atual crise da família, pois Ele une a família da Trindade. Se acabarmos com a família, não teremos mais condições de conhecer a Deus. Não é esta a causa do ateísmo moderno?

2. O Espírito Santo traduz o amor de Deus em atos e hábitos no dia a dia dos relacionamentos. Ele nos reveste com os sentimentos de Cristo: misericórdia, bondade, humildade, mansidão, paciência, perdão e amor. A família aprenderá todos estes sentimentos na Palavra de Deus. A ligação da família com a comunidade é o modo prático de salvá-la. Urge boa catequese por parte dos padres e bispos.

3. Os dois anciãos, Simeão e Ana, são figuras claras, curtidos na fé pelo Espírito Santo. O Eclesiástico ensina o valor do quarto mandamento no respeito aos pais, mesmo envelhecidos. Assim nossa oração será ouvida e receberemos o perdão dos pecados.O velho não pode ser descartado. Devem ser cheios do Espírito Santo. A Eucaristia fortalece a família, saciando-a com o Corpo e Sangue do Senhor.

Contra mão

Hoje abrimos nosso álbum de família cristã e damos com a foto da Família de Nazaré. Os três, Jesus, Maria e José, na melhor fatiota. Que bonito! Fico intrigado para saber como era aquela vida. Devia ser de pouca prosa. Falar o que, se estava tudo tão claro! “Quando o mistério é muito grande a gente não ousa desobedecer”, já dizia Saint- Exupéry. Seguiam tudo o que estava prescrito. Basta.
Mas algo não estava previsto: “Este Menino será sinal de contradição”(Lc 2,34). Ele vem em sentido contrário. Ou melhor, contrário a nós que estamos na mão errada. Não se pode ir a Ele, a não ser do jeito Dele.

O sentido contrário é o respeito e o amor à família, aos pais, sobretudo quando idosos (Eclo 3,3-17). Amor à família, como escreve Paulo, tem detalhes (Cl 1,12-21). E vão ao fundo de nosso coração.

Pe. Luiz Carlos de Oliveira



 
 
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