Natal
 
Natal: Este é Um Tempo Forte de Conversão
 
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Antes de comemorarmos o Natal, passamos por uma verdadeira preparação, um tempo de conversão, tempo especial para revermos como anda nossa vida, se durante o ano que passou Jesus esteve ou não presente em nossos pensamentos, sentimentos, enfim, se as nossas atitudes foram cheias do amor de Deus. Este é um tempo forte de conversão. Com muita seriedade, os cristãos, desde os primeiros séculos, vivem esse período como um tempo de preparação, de vigília para o encontro com o Senhor que virá.

Motivados pela espera, desejamos nos preparar para o acontecimento maior. Chamamos de Advento, este tempo de preparação antes do Natal, que tem duração de quatro semanas, onde somos convidados a dizer: MARANATHA, VEM SENHOR JESUS! Guiados dessa forma pela Igreja, vamos nos preparando para receber novamente a visita do Salvador. A manjedoura onde Cristo quer nascer ― definitivamente ― é o nosso coração.

Ele, que ao entrar nesse mundo, despojou-se por completo, pois assim que nasceu foi colocado numa manjedoura que não era sua, entrou em Jerusalém montado num jumento que também não era seu, e ainda foi colocado num sepulcro que não era de sua propriedade. Talvez o Senhor, desde o seu nascimento, estivesse querendo nos ensinar algo...Ele que desde muito cedo nos ensinou que deveríamos ter fé (cf Mt 17,20), perdoar (cf Mt 18, 21-22), amar o próximo (cf Mc 12,33), enfim, são tantas as coisas que nos foram ensinadas que não daria para descrevê-las em tão poucas palavras, mas o fato é que o Senhor despojou-se de todos os bens e até de sua condição divina (cf Fl 2, 6) para nos salvar e mostrar o caminho que deveríamos seguir.

Despojamento é uma palavra em desuso no meio da sociedade moderna. Como seria maravilhoso se nós, os cristãos, a tornássemos atual a partir deste Advento. Poderíamos começar com algo simples, como por exemplo: rever as nossas roupas, ficar somente com o necessário e doar o restante aos nossos irmãos mais necessitados; outro ato lindo seria despojar-se do nosso tempo ― muitas vezes não temos mais tempo para nada, nem para Deus ― para fazermos uma visita quem sabe a um asilo, orfanato ou talvez um hospital e levarmos esperança para aqueles que se encontram desesperançados.

Gostaria de transcrever aqui um trecho do livro “Deus sabe que sofremos” de Philip Yancey que conta a seguinte história:

“Um médico foi a um leprosário na África para falar de Jesus. Quando chegou lá, viu que todos estavam sentados sobre as mãos, com os pés sob o corpo. Percebeu que escondiam os cotos que restaram das mãos e pés, mutilados pela doença. Sentiam vergonha que aquele médico todo arrumadinho visse suas deficiências, como muita gente faz tentando esconder seus problemas de Jesus.

O médico ficou apavorado. Como iria repetir o sermão cheio de palavras bonitinhas que preparou enquanto viajava num avião com ar condicionado? Achou melhor esquecer. Olhou para aquelas pessoas e disse algo mais ou menos assim:

Eu venho de um lugar onde não passo fome, tenho casa para morar, saúde, dinheiro e muitas coisas que faltam a vocês aqui. Não sei o que é passar fome, dormir ao relento, ser leproso ou aleijado das mãos e dos pés. Então não tenho nada de mim para falar a vocês. Mas vou falar de Alguém que sabe o que vocês estão passando.

Sou médico, e sei que grandes pregos cravados nas mãos e nos pés mutilam. As mãos param de funcionar, os pés também. Quero dizer a vocês que Jesus um dia ficou com suas mãos e pés mutilados, pregados numa cruz. Morreu ali, sem poder se mexer, totalmente inválido, por mim e por vocês. Ele sabe muito bem o que vocês estão passando. É para Ele que vocês devem olhar, é nEle que devem crer. Ele entende o que vocês estão passando."

Viu só como uma visita às pessoas mais necessitadas faz bem?! Tanto os que visitam quanto os visitados são beneficiados. Faça com que a palavra “despojamento” se torne atual em sua vida, ou seja, que ela de fato aconteça e você estará se preparando ainda melhor para que o Senhor nasça na manjedoura do seu coração.

Renato Ritton é pregador, escritor e autor do livro “Se Eu Me Calar as Pedras Falarão” da Editora Santuário.

Fonte: http://www.rccbrasil.org.br



 
 
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