Finados
 
Finados - A Cruz de Cristo é a esperança da vida
 
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A pedra sepulcral do último asilo

Seja branca e descanse à sombra da cruz”

Os versos do poeta exprimem o anseio de todo coração brasileiro: repousar, no cemitério, à sombra da Cruz. No turbilhão da vida, terá muitas vezes rompido os vínculos que o prendem a Deus e ao céu. A Cruz no alto dos campanários, apontando-lhes o céu, te-lo-á trazido de novo ao caminho certo do homem neste mundo, viajor que é em demanda da Eternidade.

A Cruz de Cristo é a esperança nos embates da vida. Ela ampara nas dores, encoraja à emenda. Salve Cruz, esperança única, diz a Igreja na sua Liturgia. E realmente não fora o sacrifício redentor da Cruz esta vida teria o desfecho fatal de condenação eterna.

Eis que, apesar de todas as infidelidades dos homens, a Cruz ainda o anima a esperar o perdão e a graça de corrigir o procedimento.

Tão benéfica e consoladora esperança nos acompanha a vida toda!

Por isso, também os cemitérios se enchem de cruzes. Elas marcam os preciosos relicários onde repousam os corpos dos tementes a Deus. São elas um ato de confiança na Misericórdia de Divina, e sinal da esperança consoladora. Nas tristezas que aos mortais causa a ausência dos entes queridos, que já se foram, a Cruz aponta para o horizonte sem fim. É o que consola o poeta que “à sombra da Cruz” se sentia

“Contente por saber que dali se descerra

Um horizonte, ao seu olhar, menos estreito”.

Ninguém há, neste mundo, que tenha a ilusão de ser perfeito. No seu íntimo sabe muito bem que dista infinitamente da santidade de Deus. Percebe, no entanto, que seu corpo foi feito para Deus e, como muito bem notou S. Agostinho, inquieta-se até que repouse em Deus. Ora, este repouso só é possível mediante a Cruz de Cristo. Ela, na campa, do cemitério é a última profissão de fé nesta verdade e afirmação de uma esperança que não confunde, porque é alimentada pelo Sangue de Cristo.

Finados é assim consolação para vivo e mortos. Os vivos na Cruz do cemitério prevêem e esperam o repouso tranqüilo no seio de Deus; e consola-os a esperança de que seja este o verdadeiro repouso dos seus queridos finados, que os precederam sob o mesmo sinal da Cruz.

São assim os cemitérios monumentos levantados nas cidades à existência e soberania de Deus. Desse modo, sua missão social: animam a fé, confortam nas dores, incutem a paciência nas tribulações, previnem rixas, incitam ao perdão, preparam os apaziguamentos. São verdadeiras mansões de paz. Pois estão sob o sinal do Príncipe da paz.

Razão porque registramos com profunda amargura, o despontar de cemitérios, totalmente laicizados, onde se impõe aos usuários a proibição de que o corpo descanse a sombra da Cruz.

Em nosso último artigo comentamos a dolorosa difusão que vai alcança o ateísmo moderno, pois, tais cemitérios são dos melhores instrumentos para difundir generalizar esse ateísmo. Levam as pessoas a viver e morrer como se Deus não existisse.  

+(a) Dom Antonio de Castro Mayer, Bispo de Campos



 
 
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