Com a palavra...
 
Advento: a caminho de Belém
Por: Dom Eduardo Koaik
Bispo Emérito de Piracicaba
 
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Uma viagem que se repete a cada ano e é sempre novidade. Caminhar dentro desta novidade é que nos faz permanecer numa vida nova. O destino certo a que esta viagem nos conduz: o encontro com Aquele que, no Apocalipse, se apresenta como o princípio e o fim da história e que se manifesta a nós em três momentos.

O primeiro deles atinge seu ponto alto na chegada da "plenitude do tempo", lá onde se pode ouvir o anúncio da boa notícia trazida pelo Anjo do Senhor: "Hoje, nasceu para vocês um Salvador que é o Messias"

Na História da Salvação essa viagem ganhou o nome de Advento: "Aqueles tempos antigos em que, muitas vezes e de muitos modos, Deus falou aos antepassados por meio dos profetas (Heb 1, 1): é o tempo do anúncio das promessas de Deus que fundamentaram nossa esperança; é o tempo em que a humanidade ficou sabendo que o Salvador haveria de vir.

Toda expectativa tem sentido de vigilância: atenção com os acontecimentos da vida para não ser surpreendido com o desagradável. "E-le veio e os seus não o receberam" (Jo 1, 11); os "seus" são aqueles que o esperavam e o rejeitaram.

Mas esperar sem estar vigilante é o mesmo que não esperar. Neste tempo do Advento, a Igreja nos faz orar com os sentimentos do Profeta: "Nunca se ouviu dizer, nem chegou aos ouvidos de ninguém e jamais olhos viram que um Deus tenha feito tanto pêlos que nele esperaram como Tu, Senhor, nosso Pai" (Is 14,3).

O segundo momento do encontro com o Senhor da história: aquele em que os homens estão avisados de que Ele voltará. Assim rezamos no Prefácio da Missa do Advento: "Revestido da nossa fragilidade, Ele veio a primeira vez para realizar seu eterno plano de amor e abrir-nos o caminho da salvação.

Revestido da sua glória, Ele virá uma segunda vez para conceder-nos em plenitude os bens prometidos que, hoje, vigilantes esperamos". Apesar de toda vigilância, "o Dia do Senhor" chegará de improviso na certeza de que o bem que nos está reservado ainda é maior do que tudo que esperamos.

O terceiro momento é o encontro com o Cristo que vem e se faz nosso contemporâneo, nascendo de novo, em cada Natal, em nossos corações e em nossas relações de fraternidade para fortalecer nossa fé em suas palavras na despedida aos apóstolos: "Eu estarei com vocês todos os dias até o fim do mundo" (Mt 28,20).

O homem sozinho não pode tudo, precisa contar com Deus: "é obra de suas mãos, como o barro nas mãos do oleiro" (Is 64, 7). Contar com Deus não é esperar dele milagres, não é esperar nele para ganhar na sorte.

Não devemos esperar dele o que não nos promete. Contar com Deus é ter a certeza de que Ele colabora com nossos esforços mesmo quando parece estar tudo caminhando errado. Não há dificuldade em nossa vida que nos impeça de chegar aonde Deus quer.

O Senhor em quem nós esperamos, e temos como nosso Salvador, é o Cristo que veio, que virá e que vem. Realmente, somos salvos por Ele, mas não podemos permanecer instalados no estado de quem está salvo. A graça da salvação nos faz crescer como o fermento na massa do pão dando-lhe, ao mesmo tempo, novo sabor.

Esse crescimento, no entanto, não depende só de nós, nem mesmo depende principalmente de nós, como também não se realiza sem nós. Bem o define Santo Agostinho: "Deus que te criou sem precisar da tua ajuda, não te salvará sem a tua colaboração."

Na certeza de que Ele veio e está no meio de nós, levemos no coração, hoje e sempre, a pergunta que acompanhou os Magos do Oriente, em sua longa e difícil viagem rumo a Belém: "Onde está o recém-nascido rei dos judeus? Vimos a sua estrela e viemos homenageá-lo" (Mt2,2).



 
 
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