Com a palavra...
 
Senhora Aparecida, mãe dos pobres
Por: Dom Eduardo Koaik
Bispo Emérito de Piracicaba
 
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Os brasileiros celebram, no próximo dia 12, a festa de sua rainha e padroeira, Nossa Senhora Aparecida. É uma devoção que se enraizou na alma e na vida do povo, sobretudo entre os pobres e pequenos.

Numa cidadezinha do Vale do Paraíba, ergue-se majestoso o Santuário Nacional, o centro da piedade mariana dos brasileiros. Para lá acorrem, anualmente, milhões de peregrinos que vão até o altar de Nossa Senhora para agradecer e pedir-lhe proteção.

Como em Aparecida, Maria é louvada em muitas cidades do mundo, com os mais diferentes títulos. Em alguns lugares ela apareceu geralmente mediante imagens luminosas a extasiar os olhos dos videntes. Assim foi em Guadalupe, no México, quando apareceu, em 1531, ao índio João Diogo, na colina de Tepyac, descrita como "uma imagem que proveio de flores colhidas num terreno totalmente estéril".

Assim foi em Lurdes, na França, vista por uma menina de 14 anos, Bernadete Soubirous, ingênua e humilde, que não sabia ler nem escrever direito; era imagem de "uma senhora com a faces radiantes, vestida de branco com uma faixa azul, toda sorridente". Assim foi em Fátima, em lugar espaçoso e descampado, denominado Cova da Iria; do céu e apareceu vestida de luz a três crianças pastores, Lúcia, Francisco e Jacinta. Se foram diferentes as manifestações, algo em comum estas aparições revelam: Maria sempre se apresentou aos pequenos e humildes. Como Jesus que dentre os pobres chama os seus primeiros apóstolos, entre os pobres a Mãe de Jesus costuma escolher os mensageiros de suas aparições.

No Brasil, Maria apareceu na forma de uma pequenina imagem, e novamente revelando-se aos pobres. Em outubro de 1717, num admirável acontecimento nas águas do rio Paraíba, próximo ao Porto de Itaguaçu, ela se revelou. Domingos Martins Garcia, João Alves e Filipe Pedroso saíram a pescar.

Depois de muitas tentativas sem sucesso, chegaram ao Porto Itaguaçu. João Alves lançou a rede e apanhou o corpo de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição sem cabeça; lançando mais abaixo outra vez a rede, tirou a cabeça da mesma imagem.

Dali por diante foi tão copiosa a pescaria que, receosos de naufragarem pelo muito peixe que tinham nas canoas, retiraram-se a suas casas, admirados deste sucesso.

A partir desses acontecimentos, a imagem de Nossa Senhora é acolhida com amor na humildade do lar de um dos pescadores que se torna ponto de encontro para orações. Era uma imagem pequenina e frágil, 36 centímetros de altura, feita de barro cozido. O culto da "imagem" nasce do povo simples e vai se estendendo a devoção à Senhora Aparecida. Por toda parte, ela é invocada como mãe e padroeira. Forma-se assim a religiosidade de uma nação.

Outra mensagem de Aparecida é a pequenez, na qual se revela a grandeza de Deus. A pequenina "imagem" de terracota encontra-se, hoje, entronizada, com coroa e manto de rainha, no Santuário Nacional. Diante dela, pagando e agradecendo promessas, retornando à fé batismal, reafirmando compromissos com o Evangelho, desfilam milhões de peregrinos.

Na imponente basílica de Aparecida, tudo é grande nos seus espaços externos e internos para mostrar a grandeza do coração da Mãe que acolhe a multidão de filhos. Só Ela é pequenina naquela frágil imagem de cor morena, achada em pedaços no fundo das águas do rio e entronizada no majestoso templo. Nestes sinais temos, mais uma vez, a lição de como Deus exalta a pequenez olhando para a humildade da sua serva e levando todas as gerações a proclamá-la "a bendita entre as mulheres".

Aparecida traz também a mensagem da oração. A imagem de Maria mantém as mãos postas, em atitude de oração, ensinando-nos que a oração não necessita de palavras, basta o gesto. O Reino de Deus não se constrói com palavras, mas com gestos de fraternidade, justiça e paz. E o mais importante deles é o gesto das mãos postas, atitude de oração. Parece ainda que, com esse gesto, ela quer mostrar-nos sua principal missão junto do seu Filho: a onipotência suplicante, o poder da sua intercessão.

Proclamada como rainha e padroeira do Brasil, Nossa Senhora da Conceição Aparecida estende sobre todos seu manto maternal, revelando, como seu divino Filho, sua predüeção pêlos pobres. Afinal são eles os que formam a maioria dos romeiros e devotos que acorrem à Senhora Aparecida, a mãe dos pobres.



 
 
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