Com a palavra...
 
Todas as mães são iguais
Por: Dom Eduardo Koaik
Bispo Emérito de Piracicaba
 
Leia os outros artigos
 

Ouvi a notícia na TV: os melhores dias do ano para o comércio são o Dia das Mães e o Natal. Demorei-me na reflexão desse fato tentando ver as conseqüências boas e más por ele geradas na vida da sociedade. Foi quando iluminou-me um pensamento: o Dia das Mães é de uma alegria parecida com a do Natal. Verdadeira festa de família. Nem mesmo o dia de aniversário de nossas mães, comemorado somente dentro do lar, carrega consigo tanta manifestação de alegria.

É que nesse dia das mães, cada uma sente-se homenageada pêlos filhos de todas as mães. De fato, todas elas são parecidas na dedicação aos filhos. Ditado popular traduz bem este sentimento: "Mãe é tudo igual, só muda de endereço". Todas elas olham para os filhos de qualquer idade e os chamam de "meus meninos". Para as mães, cada idade da vida dos filhos é causa de alegrias e preocupações.

Cada idade tem seu modo próprio de receber carinho, desde os recém-nascidos que, em tudo, delas dependem. Os que ensaiam os primeiros passos e balbuciam as primeiras palavras as fazem explodir em alegrias; a infância lhes toma o tempo para vigiar-lhe as traquinagens e acompanhá-la nos deveres escolares; a rebeldia da adolescência exige delas especial atenção para protegê-la dos perigos que lhe rondam. A fase adulta da vida encontra nelas as amigas e companheiras de todas as horas.

Criaturas frágeis no vigor físico revestem-se de força sobre-humana para proteger os filhos quando se vêem em situações especiais: mães de portadores de deficiências, de filhos abandonados pêlos pais. De presos. Quem não se comove diante dessas mães nas portas das cadeias não admitindo que seus filhos, praticantes de tantos crimes, sofram maus tratos da polícia que ali está para sufocar uma rebelião?

As mães sabem perdoar. São incapazes de confessar que tiveram com seus filhos mais preocupações que alegrias. Sabem ajudá-los a se levantarem das quedas. Nenhum amor reflete melhor o amor de Deus que o delas. O que mais precisam: sempre pedir a Deus a graça de discernir a hora de proteger e a hora de "empurrar" os filhos para a vida. Sei de um psicanalista que dizia: "ser boa mãe é também saber "perder" um pouco o filho para o mundo".

Li, esses dias, num Semanário Católico de Belo Horizonte, um fiel e feliz retrato de mãe: "Certa vez perguntaram a uma mãe qual era o seu filho preferido, aquele que ela mais amava. Ela, deixando entrever um sorriso respondeu: "Nada é mais volúvel que um coração de mãe. E como mãe lhe respondo: o filho preferido, aquele a quem me dedico de corpo e alma, é o meu filho doente, até que sare. O que partiu, até que volte. O que está cansado, até que descanse.

O que está com fome, até que se alimente. O que está com sede, até que beba. O que está estudando, até que aprenda. O que está nu, até que se vista. O que não trabalha, até que se empregue. O que namora, até que se case. O que casa, até que conviva. O que é pai, até que crie. O que prometeu, até que cumpra. O que deve, até que pague. O que chora, até que se cale.'"

E, já com o semblante bem distante daquele sorriso, completou: "O que já me deixou, até que o reencontre".

Essa a verdade que nos conduz ao louvor de Deus: as mães são todas iguais nas diferenças.



 
 
xm732