Com a palavra...
 
"Eis o tempo!..."
 
 
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Os quarenta dias que antecedem a festa da Páscoa representam um tempo forte na vida da Igreja. É o tempo em que procuramos conscientizar- nos mais e mais, da misericórdia infinita que Deus usou para conosco e logo nos pediu para fazê-la transbordar para os outros, sobretudo aqueles que mais sofrem (Papa Francisco).

Para a Igreja é tempo de 'purificação' e de 'iluminação', durante o qual todos somos convidados a rever as dimensões de nosso batismo. Ponto de partida é a atitude de escuta do Mestre, para buscar compreender melhor as exigências do 'seguimento' e as implicâncias do ser discípulo. É por isso que esse tempo é marcado pelo convite à conversão; conversão que é sempre expressão de um medir-se com Cristo e seu Evangelho. Neste sentido, podemos perceber que conversão implica deixar-se encontrar por Cristo, 'deixar-se olhar e salvar por Jesus Cristo'.

Para nós os envolvidos por aquilo que se cunhou denominar 'mudança de época', e que produz transformações que atingem todos os setores da vida humana, deixando as pessoas, por vezes, desnorteadas e estressadas, pois estão sendo afetados os valores mais profundos de nossa sociedade, as palavras do Senhor "convertei-vos e crede no Evangelho" (Mc 1,15) expressam esperança! De fato, diante do 'crescimento constante do deserto à nossa volta', nós somos recordados que, no deserto, Jesus vence as tentações e o mal com a Palavra de Deus, e mostra a palavra que sai da boca de Deus como alimento. No deserto Jesus também reza! A Palavra ouvida entra na vida e na história de Jesus e se faz prece.

Durante os quarenta dias da Quaresma, a Igreja é insistentemente convidada ao deserto, à solidão, à conversão mediante a escuta da Palavra de Deus e atitude de oração. Mas não só! A penitência do tempo quaresmal não está reduzida aos aspectos interno e individual, ela também possui uma implicância externa e social (cf. SC, n. 110). Por isso, há anos, a Igreja do Brasil propõe a toda sociedade um tema de reflexão, estudo e prece, com cunho social.

Enquanto a comunidade eclesial vive a quaresma buscando reavaliar a qualidade, a determinação, as implicâncias de seu ser discípula, ela também vai ao encontro de todos os homens e mulheres, em atitude missionária, e propõe a todos a necessidade de, durante esse tempo, tomar consciência de uma chaga social que marca a história da humanidade: o tráfico humano! Diante desta realidade, fruto de ambições descabidas, de interesses espúrios, da falta de ética e da ausência do cultivo de valores, onde os direitos fundamentais do ser humano são pisoteados e ignorados, ninguém que tenha bom senso pode permanecer indiferente ou insensível.

Assim, durante o tempo da Quaresma a Igreja olha para si e para os seus, mas não se fecha sobre si mesma. Ela se deixa atingir pelas dores, feridas, tristezas e angústias do ser humano de todos os tempos, ciente de que seu Senhor veio para os famintos, sedentos, forasteiros, nus, doentes, prisioneiros (cf. Mt 25, 31-46), traficados!

Possamos todos juntos realizar um grande mutirão nacional em prol da promoção da vida humana e sua dignidade, a fim de que nenhum homem ou mulher, jovem ou criança seja vítima do trafico humano! Eis o tempo!...

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre

 
 
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