Com a palavra...
 
Queremos ver Jesus
Por: Frei Augusto Giroto
 
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Promovido pela CNBB, desenvolve-se em todo o país o projeto nacional de evangelização Queremos Ver Jesus - Caminho, Verdade e Vida. Tendo como base as Diretrizes Gerais da Acão Evangelizadora da Igreja no Brasil, trata-se de um grande projeto de evangelização que tem por objetivo levar as pessoas a viverem uma experiência de fé que suscite a conversão, trazendo um novo sentido à vida humana. Quer levar as pessoas a um encontro pessoal com Jesus Cristo,

É o anseio de todos nós. Todos nós queremos ver Jesus. Em toda a história de 2.000 anos de cristianismo, de todas as formas se pesquisaram, se procuraram, se inventaram, se criaram meios e formas para descobrir essa pessoa, essa imagem bendita de Jesus, para vê-lo de perto, conhecê-lo, e mais ainda sentir o pulsar de seu coração.

Temos certeza de que em todas as áreas de pesquisa antropológica, nenhuma deixou passar sem se interessar na descoberta de sua fisionomia, suas características intelectuais, seus dotes físicos, o modo de ser de Jesus. Todos nós queremos ver Jesus e vê-lo na sua integridade e profundidade. Todavia tudo isso parece não ser o mais importante, porque não passa de uma busca curiosa e apenas um conhecimento fortuito.

Nós precisamos buscar uma outra forma de ver Jesus, e mesmo uma forma mais profunda de poder chegar a Ele. Saint-Éxupery já dizia: "É o coração que sente a Deus, não a razão" e "só se vê bem com o coração; o essencial é invisível aos olhos". As coisas mais profundas e o essencial só se vêem bem com o coração.

O homem é prendado de um conhecimento que é preciso dispor da totalidade de sua pessoa, deve empenhar todo o seu ser para poder ver com transparência as coisas mais importantes da vida. E a figura de Jesus é o essencial da vida, principalmente no mundo nosso.

"Ver Jesus" significa, de fato, acolher sua pessoa com alegria, por ser o centro e a motivação mais forte da própria existência, e a garantia da felicidade que não se apaga.
Temos hoje muitas maneiras de ver Jesus no nosso meio.

Nós o vemos muitas vezes faminto, batendo em nossa porta; nós o vemos sedento implorando um copo de água; nós o vemos maltrapilho, rastejando pela sarjeta e chorando de dor nas enfermarias, nos hospitais; nós o vemos despido pelas ruas exibindo suas carnes purulentas e fétidas; nós o vemos prisioneiro nas cadeias, muitas vezes vítima de injustiças gritantes.

E quem sabe passamos adiante como o sacerdote da parábola do Bom Samaritano, porque não fomos nós os culpados.

Jesus ainda se manifesta no homem como o primordial sacramento de Deus, quando faz brilhar em si mesmo a grandeza e a importância do ser humano criado à imagem e semelhança de Deus. Vemos Jesus ainda nos cristãos explícitos e latentes, porque tudo foi feito nele e por ele, e tudo subsiste nele.

Com razão dizia Santo Agostinho que "a história está grávida de Jesus Cristo". No seu grande mistério está a primazia de tudo o que existe. O seu primado, mais do que nunca, deve ser a afirmação categórica de uma verdade transparente e confirmada. Ele será tudo em todas as coisas.

O franciscanismo sempre optou por esta afirmação: "Se a estrutura crítica é um dado da história, é uma estrutura antropológica que deve ser realizada em cada homem para poder salvar-se".

Nossa fé deve levar-nos à persistência de uma atitude de Jesus Cristo no meio da humanidade.

Ele é o Emanuel, o Deus-conosco, que fez morada permanente no nosso meio. Por isso o importante não é procurá-lo em algum lugar, mas sim a capacidade de cada um poder vê-lo na transparência de sua própria vida.



 
 
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