Com a palavra...
 
Viver a comunhão
 
 
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Os problemas das pessoas não mudam radicalmente de um momento para o outro, porque o homem é sempre o mesmo, com as suas riquezas e também com as más tendências.

O profeta Isaías, na Leitura que será lida neste Domingo (Isaías 58, 7-10) lamenta que o Povo de Deus se tenha refugiado numa falsa piedade e abandonado o respeito e o amor ao próximo.

Por isso, o profeta sente-se urgido a pregar: «Eis o que diz o Senhor: 'Reparte o pão com o faminto, dá pousada aos pobres sem abrigo, leva roupa a quem viste andar despido e não voltes as costas ao teu semelhante'.»

Uma tentação que nos acompanha constantemente é a de fugir ao que custa. Num primeiro momento, procuramos encontrar desculpas, para gozar de uma falsa paz.

Depois, entra a rotina neste modo de ser. Ficamos apenas em práticas de religiosidade esvaziadas de alma e fugimos daquilo que exige de nós sacrifício.

Fechamo-nos numa religiosidade individual, como se cada um de nós fosse uma ilha isolada no mar imenso da humanidade.

É preciso regressar quanto antes ao bom caminho, vivendo a comunhão com as outras pessoas, sobretudo as mais carentes.

Tem este sentido a promessa de Isaías: «Então, a tua luz despontará como a aurora, e as tuas chagas não tardarão a sarar. A tua justiça andará à tua frente, e atrás de ti, a glória do Senhor.»

Muitas vezes sentimos dificuldades em progredir na santidade pessoal, em corrigir os nossos defeitos e vencer as tentações. Talvez isto aconteça, porque falta à nossa piedade a dimensão horizontal.

O Senhor chamou-nos para fazer parte duma família – a dos filhos de Deus – e só nesta condição nos podemos santificar: preocupando-nos com os outros, alargando o círculo das nossas amizades, ajudando-nos mutuamente a caminhar sem que ninguém fique para trás.

A eficácia da nossa oração está também condicionada por este estilo de vida.

Deus voltar-Se-á para nós, quando orarmos, na medida em que nos voltarmos para os outros, sendo sensíveis às suas carências e dificuldades. «Então, se chamares, o Senhor responderá, se apelares para ele, dir-te-á: 'Estou aqui'»

Queremos ser atendidos? Atendamos primeiro generosamente os que estão ao nosso lado.

Quando lemos no Evangelho deste Domingo (Mateus 5,13-16) que o discípulo de Jesus Cristo é sal da terra e luz do mundo, verificamos que, na prática, restringimos a nossa vocação e missão de anunciar as verdades da fé.

Há, de fato, uma grande carência de doutrina nas pessoas, mas há também uma grande carência de Amor.

O Senhor resume toda a vida do cristão em duas palavras: sal – testemunho de vida – e luz – anúncio da Boa Nova, com a Palavra de Deus.

A nossa vocação é dar gosto às atividades mais rotineiras, saber e ajudar os outros a descobrir o brilho divino que há nas coisas mais comuns.

Só o amor a Deus, vivido na caridade para com os outros nos transforma neste sal. As pessoas já não se convencem com palavras sonantes, com belas ideias.

Voltamos ao profeta Isaías: «Se afastares do meio de ti a opressão, os gestos de ameaça e as palavras ofensivas, se deres do que é teu ao esfomeado e matares a fome ao indigente, a tua luz brilhará na escuridão e a tua noite ficará como o meio-dia.»

Para que serviria o nosso cristianismo, se o não procurássemos viver com toda a exigência e com amor? «Mas, se o sal perder o sabor, com que há-de ele salgar-se? Já não serve para nada; só presta para se deitar fora e ser pisado pelos homens.»

Não encontraremos aqui alguma explicação para a falta de interesse de algumas pessoas pelo cristianismo?

Somos enviados a ser luz, anunciando a Palavra Deus. Disse Jesus: «Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa a todos os povos.» Os primeiros cristãos entenderam perfeitamente este mandato. Só depois, com o cansaço que vem ao longo da caminhada, se começou a pensar que a evangelização é encargo apenas de alguns privilegiados.

Faz-nos estremecer a Palavra de Jesus Cristo: «Não se pode esconder uma cidade situada num monte, nem se acende uma lâmpada para se pôr debaixo do alqueire, mas no candelabro, onde brilha para todos os que estão em casa.»

Mas seremos luz também – e de modo indispensável – pelo bom exemplo que damos, pela seriedade coerente com que tratamos das tarefas de cada dia, na família, no trabalho, nas amizades. Quando fala da necessidade de espalhar luz, o Mestre fala também das nossas boas obras.

Com amor à Eucaristia, procuremos conduzir as pessoas à Eucaristia Dominical, e ajudemo-las a participar nela de modo que participem ativamente na Celebração.

Para que recomecem de verdade uma vida cristã, terão necessidade de recorrer também diligentemente ao Sacramento da Reconciliação e Penitência.

Que Nossa Senhora nos ajude e ensine a sermos cada vez mais sal da terra e luz do mundo.

Dom Antonio Carlos Rossi Keller
Bispo de Frederico Westphalen (RS)

 
 
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