Com a palavra...
 
Semana Santa - Tempo de graça
Por: Dom Moacyr José Vitti
 
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A Igreja inicia, no próximo domingo, a Semana Santa, a mais importante do ano, quando celebra de maneira especial os mistérios da morte e ressurreição de Jesus. É um tempo privilegiado de graça que Deus nos concede, convidando-nos a refletir sobre a vida e a missão de Jesus, sobre seu sacrifício redentor, a fim de que realizemos uma verdadeira conversão, confrontando nossa vida com os ensinamentos do Divino Mestre.

A Semana Santa se inicia com o Domingo de Ramos, quando recordamos a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. O povo simples recebe Jesus com entusiasmo, agitando ramos, aclamando-o como "bendito aquele que vem em nome do Senhor". (Mc 11,9) Apesar de tanta festa, o Salvador está chegando a Jerusalém para morrer na cruz, completar sua missão. E muitos que, nesse dia, saudavam festivos a Jesus, dias depois irão pedir sua condenação. É o contraste que marca nossa condição humana. No domingo também agitaremos ramos de palmeira, aclamaremos o Messias, não só recordando o acontecimento passado, mas professando nossa fé no Divino Redentor.

Depois, de segunda a quarta-feira, a Liturgia nos oferece para meditação textos bíblicos que ressaltam a missão redentora de Jesus. Nas nossas comunidades paroquiais muitas celebrações
acontecem, ajudando-nos a viver melhor esses dias.

O ponto alto da Semana Santa é o Tríduo Pascal (ou Tríduo Sacro) que se inicia com a missa vespertina da Quinta-feira Santa e se conclui com a Vigília Pascal, no Sábado Santo. Os três dias formam como que uma só celebração, que resume toda a vida e missão de Jesus Cristo. Por isso, nas celebrações da quinta-feira à noite e da sexta-feira não se dá a bênção final; ela só será dada solenemente no final da Vigília Pascal.

Na Quinta-feira Santa, recordamos a instituição da Eucaristia e do Sacerdócio ministerial. Na celebração da Ceia do Senhor, o gesto do lava-pés nos convida à humildade e ao serviço e nos lembra o mandamento novo que Cristo nos deixou. Depois de lavar os pés de seus apóstolos, Ele proclama: "Eu vos dou um novo mandamento, que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei." (Jo 13,34)

A Sexta-feira Santa é o momento mais marcante da semana, que nos faz refletir sobre o grande amor de Jesus para com a humanidade, entregando sua vida para nos salvar. Por isso Ele pôde afirmar: "Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos." (Jo 15,12) Celebramos esse dia com a proclamação da Palavra de Deus e a adoração da cruz, "da qual pendeu a salvação do mundo". Tudo se cala diante do grandioso mistério de um Deus que se imola pela salvação de todos nós pecadores.

Mas a Semana Santa não termina na sexta-feira e sim no dia seguinte quando a Igreja celebra festiva e solenemente a Vigília Pascal, revivendo a vitória de Jesus que, vencendo a morte e o pecado, ressuscita glorioso. É uma celebração muito bonita e rica de simbolismos, como o fogo, a luz e a água, que lembram a vida nova que brota do Ressuscitado.
Vivamos intensamente esses dias. E além da riqueza das celebrações, há dois espetáculos artísticos que vêm colaborar para uma melhor vivência da Semana Santa. O grande sucesso cinematográfico do momento é o filme "Paixão de Cristo", ao qual tive oportunidade de assistir.

É um grande espetáculo de fé e técnica que ajuda a refletirmos sobre o grande mistério da paixão e morte de Jesus. Marcado por muito realismo, com algumas cenas chocantes, o diretor faz questão de revelar o quanto Jesus sofreu pela nossa redenção, mostrando que só um Deus-homem poderia suportar tanta humilhação e sofrimento pela salvação da humanidade. Entre uma cena e outra de sofrimentos violentos, vai mostrando os momentos mais importantes da vida de Jesus. É uma bela catequese, que vale a pena ser vista.

Outro grande espetáculo de arte e fé é a Paixão de Cristo que há anos vem sendo encenada em nossa cidade, nas dependências do Engenho Central. No ano passado tive oportunidade de assistir pela primeira vez e quero fazê-lo novamente este ano. Os atores, a grande maioria amadores, num testemunho de dedicação e amor a Cristo, conseguem realizar uma obra grandiosa. Todos deveriam assistir a ela, o que certamente contribuirá para o clima de reflexão que Semana Santa nos apresenta.



 
 
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