Formação espiritual
 
Não desperteis nem perturbeis o amor, antes que ele o queira (Ct 8,4b)
Autor: Prof. VICTOR HUGO NASCIMENTO
Filósofo e Teólogo.
Professor das Escolas de fé e catequese Luz e Vida e Mater Ecclesiae - RJ
Contato: victorbento.30@globomail.com
 
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Dia dos namorados! Dia de pensar no amor e na pessoa amada! Momento de reviver, relembrar e celebrar o dia em quem fomos acolhidos, diria até mesmo, brindar o dia em que fomos desejados! Mas... Será que esta pessoa com quem você se relaciona é a pessoa certa? Indo mais além... Você já se perguntou se neste momento, deveria estar realmente namorando? O poético livro dos Cânticos dos cânticos já alertava aos apaixonados jovens inebriados pelo moscatel do amor: “Não desperteis nem perturbeis o amor, antes que ele o queira!” Muitos de nossos jovens, alvoroçados pelos nossos tempos sensoriais e libidinosos, têm atiçado o fogo do amor antes da hora. O resultado são “amores” imaturos, relacionamentos fatigantes, vidas estragadas...

Penso que estar só, sem namorado (a), é o momento em que se pode explorar as profundezas da alma, de se conhecer e assim aprender quem somos para que, com todo carinho, nos preparemos para o próximo relacionamento. Aliás, aquele que vive esse momento antes do namoro tem a oportunidade de viver um tempo de saudade: saudade da beleza, saudade de um abraço mais aconchegante, saudade de ser alvo de uma atenção especial. E que vivamos o tempo das saudades! Ele nos faz expressar o amor não só a uma pessoa, o (a) namorado (a), mas a todas as pessoas com quem convivemos.

A vivência da virgindade (no sentido de pureza da alma, mas do que do corpo) depura nossas vidas, aumentando a qualidade de vida: o gosto refinado pela Beleza, sobriedade no trato com as pessoas, mais transparência e singeleza no olhar, na fala, nos toques! O (a) virgem busca um relacionamento positivo com as possibilidades sacrificadas! Jovem, não queira ficar com todo mundo, porque o mundo todo não lhe merece! Aprenda como a castidade lhe conduz a ser uma pessoa mais fiel, com um amor capaz de renunciar e de ser gratuito! Seu amor só será verdadeiro por alguém quando de uma vez por todas você aprender que Deus é o centro de todo amor!

Num mundo em que vivemos “amores líquidos” (Zygmunt Bauman), onde nada é feito para durar, o cristão tem a vocação universal de testemunhar ao mundo a virgindade, a castidade! Não significa, negativamente, a ausência de amor ou abstinência sexual, mas a capacidade de relações (não necessariamente amorosas) sólidas! A virgindade nos qualifica para um amor sólido, mais profundo, com raízes! Todos nascemos virgens! Chegamos ao mundo castos! Isto significa que há um amor que é substância de todos outros amores que virão. Deus imaginou-nos virgens e antes de despertar o amor para com qualquer pessoa, devemos devolver este amor virginal e casto a Deus, ali naquele espaço onde só o amor de Dele pode preencher!

Estou convencido de que a grande crise dos casados e noivos e mesmo de namorados está na falta de referência transcendente. Muitos de nossos casais ainda não entenderam que não é preciso ser padre ou freira para viver um amor virginal. Todos temos a vocação para este tipo de amor. No amor virginal não se pretende saciar definitivamente a sede de amor do outro, nem ser dele saciado. O amante virgem compreendeu com o coração que só Deus pode saciar nossa sede de amor! Do contrário, continuaremos cobrando amores impossíveis; seremos sempre mais exigentes, sobrecarregando nossas relações com responsabilidades extremadas e com expectativas fora do real. Aliás, o romantismo faz parte desta trama traiçoeira! Romantismo é um tipo de “amor” idealizado, impossível de existir na realidade da vida. Pautar a vida em irrealidades platônicas é loucura! Quem escolhe amar transcendentemente, no fundo está optando pelo primado do amor de Deus! O amor casto é portador da mensagem do Verdadeiro amor incondicional de Deus pela humanidade. O casal que vive a castidade no namoro (e mesmo no casamento!) tem a capacidade de narrar, na incerteza da fragilidade do amor terreno, a solidez e a ternura do Amor Eterno!

Não desperteis nem perturbeis o amor, antes que ele o queira! Não deixe que o mito do amor ideal, ou mesmo a falta de um grande amor estabeleça na sua vida uma angustia existencial, pela qual você gaste suas energias para eliminá-la. Coragem! “quero um amor maior, amor maior que eu” (J. Quest), esse amor nenhum homem poderá lhe oferecer! É um amor que só é possível em Deus! É uma forma de espiritualidade esponsal: fazer outros amarem O amado! E só depois que encontrarem O verdadeiro amor, só depois de se sentirem amados ao extremo, é que estarão aptos a convidá-lo a entrar! Lá, em nossos corações feridos, mas profundamente amados, o amor de Deus se comunicará com o amor de Deus existente no coração do outro ser amado! Ali, em nós dois, Deus fará sua morada e assim viveremos na casa do Amor! Até porque, “não somos mais um rapazinho (mocinha) qualquer que pode fazer qualquer coisa; temos responsabilidades. Há pessoas no mundo contando com o fato de que aprofundemos seriamente a dimensão interior da experiência que eles desejam e que lhes está fechada. Não posso deixar que isso seja estragado e dissipado estupidamente. Afinal, além de mim mesmo,  arruinaria também a ele (ela)...” (Thomas Merton)

Convido a você a neste dia tão especial a meditar com seu amor o livro dos Cânticos. Ali poderão encontrar amor com que amar! E para ajudar mais ainda a celebrar este momento, indico o DVD “Verbi sponsa” da Madre Kelly Patrícia e irmão do Instituto HESED. Apresento aqui algumas músicas deste trabalho. Cheios de poesia virginal, vivamos o Amor dos amores, deixemo-nos ser enamorados pelo Namorado dos namorados! Até porque “se a virgindade (castidade) não chega a ser poesia, ela é renúncia miserável!” (Amedeo Cencini)

https://www.youtube.com/watch?v=nulfxiNjiFQ →Beija-me

https://www.youtube.com/watch?v=J3I9-qzkrzQ →Esposa das esposas

https://www.youtube.com/watch?v=MQxYeb3iI9A →Belíssimo esposo

 
 
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