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Desperdício
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Mesmo nas lides de pilotar o fogão, existem gastos desnecessários, oriundos da falta de um pequeno conhecimento: a água a ser fervida, não passa dos 100 graus jamais, mesmo que se ateie um fogo de explosão solar. Portanto, quando uma panelada de comida começa a ferver, de nada adianta continuar com fogo alto, pois o fogo baixo mantém a fervura, sem precisar gastar tanto gás.

Na construção civil, o material que se perde (tijolos, sacos de cimento, repetição de  tarefas mal feitas, telhas quebradas...) daria para construir uma segunda casa. Então nos alimentos, é de estarrecer. Perde-se quase 50% de tudo o que se produz. Basta acompanhar, por exemplo, a trajetória do nosso popular feijão. Na hora da colheita as máquinas já eliminam alta porcentagem do produto.

No transporte, sobretudo por caminhão, se perdem mais preciosas  porcentagens. Na hora de cozinhar, todos sabemos que o alimento corre sérios riscos. Na refeição, outra parte se perde porque as pessoas pegam o alimento, mas deixam boa sobra no prato. E o montante que resta vai para a geladeira, onde corre risco de ficar esquecido. “O Senhor dá alimento aos animais e aos seus filhos” (Sl  147,9). Será que somos cuidadosos com as mãos dadivosas do Senhor?

Mas o cúmulo do esbanjamento acontece com a água. O nosso planeta é privilegiado no universo. Nos planetas só pode haver vida mais complexa, caso existam atmosfera gasosa com oxigênio, calor adequado, nutrientes, iluminação, e especialmente água. Todos os planetas que conhecemos não tem essas condições básicas.

A única exceção é o planeta terra (ou o  planeta água). O Criador caprichou exageradamente, e nos brindou com grande quantidade do precioso líquido. “Vós que tendes sede, vinde às águas” (Is 55, 1).  E vejam, o Brasil é possuidor de 13% de toda a água doce do mundo. Não temos desertos, mas apenas regiões de semi-árido. Vivemos na impressão de que é um tesouro inesgotável. Por isso fazemos gastança irracional, não nos importamos com vasamentos, poluímos sem escrúpulos.

Por causa do desperdício, que ultrapassa os 50%, o poder público precisa buscar água em regiões cada vez mais distantes. A natureza não tardará em apresentar a conta. Se há uma formação que nos falta é saber cuidar da água, de maneira econômica e agradecida.

 
 
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