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Semelhanças e diferenças
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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A ciência laicizou a Confissão. Nem por isso o mundo moderno deve ser execrado, e sofrer acusações de plágio. O psicólogo realizar entrevistas para chegar à raiz da abulia; procurar descobrir por que alguém tem permanente tendência a ser contra qualquer autoridade; ou chegar à origem das preferências sexuais extravagantes, deve ser considerado um benefício para uma pessoa consciente.

Na Igreja, desde tempos imemoriais, temos a confissão pública dos pecados. Mas temos, sobretudo, a riqueza da confissão pessoal diante do Ministro, representante oficial de Cristo e da Igreja. Está em voga, como norma de vida, a partir dos primórdios do cristianismo, o que dizia São Paulo: “O mundo nos considere como ministros da reconciliação” (2 Cor 5, 19). Assim estamos na atmosfera da fé religiosa, e ultrapassamos o mundo das causas naturais (sem desprezá-lo). Tanto na Confissão sacramental, quanto na catarse podemos encontrar respostas para os anseios mais profundos da alma.

O católico tem à sua disposição o sacramento da Reconciliação, como modo seguro de purificar a consciência: “Seu sangue purificará das obras mortas a nossa consciência” (Hb 9, 14). Mas é preciso conhecer em que pontos existem convergências e dessemelhanças entre os dois modos de ajudar o ser humano. Um exige fé na força da graça, e outro se resume em buscar a sabedoria filosófica de Sócrates: conheça-se a si mesmo. O primeiro age no consciente, para retirar a culpa. O segundo entra também no inconsciente.

Na confissão Deus considera pecado somente se a pessoa  transgride um mandamento conhecido. Na entrevista tudo o que a pessoa praticou de mal, mesmo sem pleno conhecimento, é causa de males psíquicos. No sacramento da misericórdia saímos com a certeza de que Deus nos perdoou. Na catarse saímos conhecendo como administrar nossos defeitos. No sacramento, desde que arrependidos, já recebemos logo o perdão. Na psicologia, para a pessoa sair bem orientada, precisa comparecer muitas vezes. Ademais, o ato sacramental é gratuito, ao alcance dos pobres. Mas o acompanhamento psicológico, para tristeza dos próprios profissionais, precisa ser pago. Aliás, nesta quaresma você já recebeu o sacramento da Reconciliação?

 
 
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