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Para uma melhor convivência
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Gostamos de nos gloriar dos avanços do mundo moderno: a facilidade em alcançar alimentação adequada; a superação de muitas doenças, inclusive o câncer; o domínio tranqüilo sobre a natureza...”Tu coroaste o homem de glória e esplendor” (Sl 8, 6).

Mas por outra, as demonstrações infindáveis de estupidez, compõem uma verdadeira enciclopédia, enriquecida diariamente. Às vezes tais expressões de verdadeira idiotice nos fazem duvidar da capacidade racional da raça humana.

Comemos sem medida, certos alimentos prejudiciais à saúde; usamos ônibus caindo aos pedaços até suceder uma tragédia; queremos fortuna sem trabalhar; mentimos muitas vezes e queremos ter prestígio social; desprezamos o próximo e queremos ser amados. A tragédia de Santa Maria - um rosário de erros estratégicos - é só mais um exemplo da cornucópia de ingenuidades de como desafiamos perigos anunciados.

Ainda bem que o rumoroso sinistro está sendo ocasião de uma decidida revisão das regras mínimas de segurança, em todo o país. Parece que a reação da sociedade está pegando para valer. Aparentemente só aprendemos com chinelada.

Mas, data vênia, penso que a ocasião deveria ser aproveitada para superar um outro problema, que incomoda toda a sociedade: é a localização das boates e das danceterias. Com poucas exceções, elas estão aprovadas a funcionar no meio das áreas residenciais. Isso provoca um grande mau humor entre os vizinhos.

Suportar aqueles sons estridentes, as músicas de baixa qualidade artística, tolerar os decibéis incivis até as quatro da madrugada,é dose para troglodita. Na era do automóvel e da internet tais casas de “espetáculos” podem perfeitamente ser deslocados para locais onde a ninguém incomodam. Gostaria de comentar mais um problema de convivência social: são os alarmes domésticos.

Não é raro que tais artefatos disparam (por vôo de morcego, ou por um descuido sem sentido), nos sábados à noite, e ficam perturbando a cidade, com seus péssimos sons eletrônicos, até domingo à noite. Haja nervos. Seria tão fácil os legisladores estabelecer melhores regras de funcionamento. A cidade inteira agradeceria, e a convivência humana se tornaria mais agradável.

 
 
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