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Pichações
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Em certa ocasião viajei ao Rio de Janeiro, de ônibus. Tendo aproveitado o tempo, consegui dormir tranquilamente. Ao acordar já estávamos entrando na cidade maravilhosa. Levei um enorme susto, pensando que estávamos entrando no Haiti.

As casas e empresas, de um lado e de outro da avenida estavam com inscrições, fixadas a spray, das mais feias possíveis. O efeito visual de tal indisciplina de convivência humana, é de tirar toda a beleza e o encanto de uma cidade. Não vi nenhum posto de gasolina, nem igreja com as incivis inscrições.

Certamente porque sempre há muitas pessoas nas imediações. Eis algumas características daquelas garatujas: quase todas são ilegíveis, com sinais esotéricos; as assinaturas dos artistas são conhecidas apenas das gangues; adoram escalar locais quase impossíveis; o mau gosto e a falta de arte  é geral.   É uma incomunicação sibilina.  

Pelas andanças através do planeta Terra, faço uma interpretação provisória. Quanto mais descontentes, e quanto menor for o nível escolar e familiar, de certas populações, mais pichações vão aparecer. É raríssimo ver tais expressões na França, na Suíça ou  na Inglaterra (ou mesmo entre os indígenas).

Até entre os Romanos havia disciplina: guardava-se ciosamente um local numa praça, onde todos podiam escrever o que quisessem, sem sofrer punições. Mas o resto da cidade eterna era limpo.  Se alguém quiser ajudar a interpretar mais benignamente tais atos de vandalismo, venha em meu socorro.

Como consigo enxergar, esses hieróglifos provém de gente que não aprendeu a amar a sua cidade, ou se sentiu mal acolhida, ou tem ódio político contra a Prefeito da cidade. Isso acontece justamente em nossos dias onde existem tantos outros recursos civilizados de manifestação: faixas, cartazes, rádio, folhetos, alto-falantes.

Não podemos esquecer que a cidade é uma grande invenção humana. Talvez a maior de todas. É uma organização que Deus entregou à inteligência humana. A nossa vida sem fim será na “Jerusalém celeste, a cidade do Deus vivo” (Hb. 12, 22). Aprendamos a ser civis desde já.

 
 
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