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O esquerdismo e a igreja
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Quem se localiza na esquerda considera-se um vencedor. É uma posição acariciada com prazer por certos políticos, por intelectuais.

É a preferida entre muitos acadêmicos e artistas. Até entre os teólogos se encontram impaciências pela lentidão das mudanças.

Querer que o mundo seja diferente e melhor, é um programa muito bom, que não coincide com subversão negativa. Até o Evangelho, no fundo no fundo, é esquerdizante. A pregação do Reino dos Céus não é um ir além, querer mais, ter grandes sonhos, onde Deus será tudo em todos? O Cristianismo prega utopias (não delírios). “O lobo e o cordeiro pastarão juntos” (Is 65, 25).

A mensagem cristã tem uma forte motivação para a convivência humana. Mas é preciso evitar a confusão entre as bandeiras. Defender os empobrecidos, querer justiça para os marginalizados, é uma coisa.   Defender a prática livre do aborto, ser a favor de doutrinas heterodoxas, é outra. O meio para se perceber a retidão ou não, de uma grande idéia, é ver o método que se pretende usar. É preciso ver a ideologia subjacente. Já se vão dois séculos que o mundo optou pela solução do socialismo, que luta pela eliminação dos adversários, sempre considerados os errados.

O socialismo, mesmo apregoado por gente de retas intenções, foi um sinistro histórico. Recebeu inúmeras condenações dos Papas. Oitenta milhões de vítimas depois, com ditaduras cruéis, novas formas de privilegiados, supressão de liberdades, fracassos clamorosos... muitos, mesmo dentro da Igreja, continuam fascinados por essa ideologia.

Esta não costuma respeitar a liberdade das pessoas, usa métodos violentos, e acha que é no ardor da luta que se obtém as mudanças das estruturas. O biólogo, tendo uma colônia de baratas, e submetendo-as a um frio muito intenso, consegue delas movimentos muito lentos. À medida em que esquenta o ambiente, elas vão aumentando a velocidade  de sua locomoção. Assim,  pensam os socialistas, para conseguir resultados nas mudanças sociais, é preciso empregar a luta, esquentar a agressão verbal e até apelar para a guerra. Só assim poderá haver vitória dos mais fracos. Mas o cristianismo ensina que o ambiente para  formar os povos e as crianças é na paz, e na educação. “É na paz que se semeia o fruto” ( Tg 3, 18).

 
 
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