Colunas
 
Nocaute no primeiro round
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
Leia os outros artigos
 

Todos se lembram da infeliz iniciativa do lulismo em 2009. Foi o Programa Nacional de Direitos Humanos 3. Nenhum de seus fautores e instigadores, no entanto, previu a forte reação provinda da sociedade contra suas aberrações.

A rejeição foi muito grande. Tratava-se de um esboço de uma nova constituição, imposta por um grupo de “sábios”, onde se abriam os flancos da república para uma perseguição religiosa (a liberdade religiosa é fundamental para todas as liberdades).

Também se dava guarida a vários absurdos morais, totalmente ao arrepio de nossas tradições.

A forte reação fez um prodígio de retirada estratégica: o texto desapareceu, para retornar numa ocasião mais propícia... Hoje a dose letal, com a reforma do Código Penal, retorna vitaminada. Seus conteúdos, em algumas de suas partes, parecem prescrever uma ética de povos sem âncora moral, ou de um país que não tem história, nem referência a princípios de vida.

Hoje não entrarei nos princípios “modernos” desse Código. Por ora só farei algumas considerações de ordem geral. Por que tanta pressa em queimar etapas em sua tratativa legal? Tudo parece calculado para pegar a sociedade na surpresa.

Para um lutador treinado – como é o caso das criaturas do governo - pegar um adversário destreinado, ingênuo, que desconhece os segredos de certos golpes, é o maior prognóstico de vitória fácil. Por que essa comissão não atendeu até hoje, as sugestões de eminentes juristas católicos, que lhe apresentaram alternativas muito mais conformes à nossa tradição cristã? Por que o Presidente do Senado, José Sarney – de resto um homem que tem convicções (inclusive religiosas) – deu cobertura legal a um projeto a ser discutido no Senado (em velocidade ultrassônica), antes que seus eventuais adversários se recomponham da surpresa? 

A minha fraca voz está a serviço dos cavaleiros da justiça.  Quero concitar todos os cidadãos brasileiros a nos mantermos atentos, e encontrar caminhos de diálogo com um grupo tão aguerrido, que quer impingir aos cidadãos um modelo inaceitável de Código Penal. “Tomai a armadura de Deus, para resistir nos dias maus e manter-vos inabaláveis”. ( Ef 6, 13).


 
 
xm732