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Há vantagens no diálogo?
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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O Concílio, através de vários de seus documentos, recomenda à Igreja dialogar com representantes de outras religiões (Unitatis Redintegratio), e com o mundo moderno (Gaudium et Spes). Vamos completar 50 anos do início do magno Conclave, e os frutos do diálogo continuam desidratados.

Os Socialistas prosseguem em suas audácias materialistas (um pouco abalados pelos reveses do comunismo); as Feministas atéias continuam apresentando suas propostas de corrigir o Criador (também em dúvidas por evidentes “teimosias” da natureza primordial); os Protestantes vão em frente reconhecendo a desunião, mas favorecendo novas separações de força centrífuga;  os Ateus,verificando a fraca organização das religiões monoteístas, estão cada vez mais destemidos em seus argumentos  de força aparente. Continuamos muito convictos de que “conosco está o Senhor do universo” (Sl 46, 8), mas isso não nos enche de corajosas iniciativas, expondo-nos à conversa aberta. Não houve conversões, nem de ateus, nem de protestantes, nem de feministas exacerbadas. Então, é ingenuidade querer dialogar? O diálogo seria uma figueira estéril? Vamos partir para o enfrentamento?

É bom nos convencermos de que ser apenas “adversários civilizados” ou até “inimigos corteses” não é suficiente. A finalidade da atitude dialogal não é fazer a cabeça do adversário, ou querer que ele capitule e “entregue os pontos”. Conhecendo a natureza humana, sabemos que isso jamais acontecerá. Dialogando, descobrimos que os outros nem sempre são tão maus assim.

Compreendemos que o arcabouço da nossa fé católica é harmonioso e muito lógico. Nele não divisamos erros, mas a necessidade de correções e adaptações aos tempos modernos. Concluímos que o nosso defeito está em não pôr em prática o que a fé nos pede.  Permanecemos insensíveis perante os apelos de conversão. O diálogo pode abrir perspectivas novas.

Olhemos para o escritor ateu por excelência, que enriqueceu com seus livros, Dawkins. Num diálogo público, reconheceu que não tem mais tanta certeza de que Deus não existe. Agora prefere ser chamado de agnóstico e não de ateu. Um dia se cumprirá a previsão do Apocalipse: “as nações todas, prostradas, haverão de adorar-vos” (15, 4).



 
 
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