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O sexo ausente
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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A convivência humana contém muitas zonas de fricção, que dão a impressão de incompletude ou até de haver um erro grosseiro a ser corrigido. Hoje refiro-me à menor comunidade humana, onde as pessoas estão muito próximas: a família. A era moderna aperfeiçoou conceitos de séculos passados. E esse novo modo de pensar, entre avanços e recuos, refletiu primeiro sobre a criança. Ao contemplar os bebês, o salmista exclama: “Tu os fizeste um pouco menor que um deus” (Sl 8, 6).A pedagogia fez progressos notáveis, melhorando a compreensão desse ser em formação (e não o homúnculo de séculos anteriores).

A nova maneira de entender essa criatura que desabrocha ficou muito bem expressa no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Entrementes veio uma longa temporada para entender com mais perfeição esse elo fundamental que é  a mulher. O feminismo, bem entendido, foi origem de grandes progressos, que fez entender melhor os segredos que o Criador escondeu nos refolhos dessa grande alma. Hoje ela é entendida não só como mãe, mas também como mulher. Houve melhorias, sem deixar de ter havido também alguns recuos de corte materialista, que trouxeram prejuízos para a família.

Ainda não chegamos ao varão. O masculino está na pior, e o silêncio sobre ele é um fracasso. Seu prestígio está lamentável.  Tudo o que de negativo se pode imaginar, lhe é atribuído: opressor, quer ser servido, não se responsabiliza, dispensável...Esquece-lo é um erro ciclópico. Na lógica da família ele é importante, para dar equilíbrio e segurança.

Diante dos filhos ele não é um simples amigo. Ele é pai. A paternidade dá um toque de autoridade e um desafio para alargar os horizontes na direção do mundo. Sem a presença paterna a família se vê aterrorizada diante do mundo ameaçador. Ele rompe o aconchego da intimidade familiar, para mostrar que o mundo é maior do que o círculo afetivo da comunidade primordial.

Hoje vemos que os assaltos, os roubos, os assassinatos e invasões de domicílio aumentam em proporção geométrica. Isso acontece, com certeza, porque falta religião. Mas sobretudo porque essas levas de malfeitores não tiveram um pai, que lhes ensinasse os limites que a vida impõe. Não tiveram alguém que representasse a lei, a reta ordem e a segurança.



 
 
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