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Resiliência
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Não se assuste com a palavra estranha. Vai ser muito fácil compreender seu alcance. Os metais, e também outros objetos, tem  capacidade de recuperação. Suportam impactos sem se romper. Passada a pressão externa, o metal recupera sua posição inicial, por resíduos de resistência que possui.

Por exemplo, uma mola, submetida a um prejuízo momentâneo, recupera sua situação anterior, quando cessa a pressão. Essa característica é transferida pela moderna Psicologia, para o âmbito da alma. Sobre ela podem aparecer muitas forças que tendem a desestabilizar o equilíbrio interior.

Quais podem ser essas forças?  As decepções com pessoas; fracassos nos empreendimentos; dívidas constrangedoras; ideais enganosos; família desestruturada; saúde abalada...Devemos ter, com a ajuda da graça, capacidade de resistir a esses impactos destruidores, e recuperar o ânimo positivo. “A vida continua. Bola pra frente!”.

Nosso povo tem forte resiliência. Isso está provado no fato de ele acolher, sempre com alegria, os novos filhos. Isso é, crê na vida, com otimismo.

Mas também pode acontecer que o espírito não ajunte energias para se recuperar. A pessoa afunda em depressão, e seu estado de ânimo é de pessimismo, confusão e nervosismo. Isso não é um estado pecaminoso, porque é difícil dominarmos os sentimentos de tristeza, de alegria, de raiva, ou desânimo.

De depressões momentâneas ninguém consegue escapar. Devemos ajuntar energias para evitar o stress permanente. Quando isso acontece dizemos que a pessoa “entortou o eixo”. Perde a direção. Jesus  era uma pessoa equilibradíssima. Mas teve um profundo momento depressivo no horto das Oliveiras. Minha alma está triste até a morte”( Mc 14, 34).

Como ele superou esse momento de confusão? Pela oração. Após rezar com perseverança, levantou-se e enfrentou seu futuro. Neste ano paulino, podemos constatar que o Apóstolo entrou em depressão, após receber uma advertência dos outros apóstolos, para moderar seu discurso contra os judeus. Então retirou-se dois anos para Tarso, sem saber o que fazer. Como saiu dessa situação? Pela ajuda de São Barnabé, que o veio chamar para uma  missão  em Antioquia. Voltou a ser o que sempre fôra. A ajuda fraterna é outra grande força de recuperação.



 
 
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