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Um valor permanente
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Não pode haver uma pessoa lúcida sem uma direção de vida. “Onde está o teu tesouro, aí estará também teu coração” (Mt 6, 21). Ter um objetivo na vida ilumina toda a existência. É como diz a sabedoria popular: De nada adianta ter um grande navio, se não se sabe para onde navegar.

A grandeza de vida de uma pessoa depende muitíssimo da grandiosidade de seus ideais. Um ideal pequeno reduz a personalidade a proporções minúsculas. Um grande ideal agiganta o sentido da vida, e produz resultados que podem beneficiar toda a humanidade. Ter um grande objetivo – como ensina Jesus – é ser possuidor de um tesouro.

Ninguém escapa de fazer escolhas. Convém selecionar o que vale a pena guardar, e pôr de lado o que não leva a lugar algum. Com sua sabedoria insuperável, Jesus comparou essa atitude a uma pesca: “Os bons peixes, os pescadores os põem nos cestos. Os que não prestam são jogados fora” (Mt 13, 48).

Na vida aparecem muitos projetos mirins, alguns até danosos. Esses importa excluí-los, e manter os que nos podem fazer sair do chão. São os grandes objetivos. Até ouso dizer que as verdadeiras propostas, com plenitude de realização, costumam ter cunho religioso. São oriundos da fé. Somente ela pode proporcionar uma amplidão infinita.

Nela não existem contornos limitadores, ou paredes que impedem o avanço. Tudo é do tamanho do ser humano, imagem e semelhança de Deus. A fé deve ser o círculo maior, o ideal por excelência. Dentro do qual colocamos nossos sonhos menores, que só pegam consistência plena, olhados a partir do sonho principal.

Por que falo isso? Porque considero que o cristão, mesmo ocupando cargos de importância, ou conseguindo ser profissional de saúde, da educação, da vida pública, deve manter o núcleo central da sua fé em primeiro lugar. Porque nele se encontra a inspiração permanente, que dá sentido a todos os acréscimos. Seria um empobrecimento colocar os novos valores na primeira plana, e tornar a fé subordinada a algo que não tem capacidade de plenificação.



 
 
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