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Alargando a conversa
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Parece que o temário da Campanha da Fraternidade ficou empobrecido. Até pegou ares de tautologia. Os noticiários só focalizam o tema (importante) do aborto. Lembram o canto que só tem estribilho. Ainda mais que está assim de gente brava com a CNBB, por causa da luta em "defesa da vida". 

A ira se concentra porque não existe outra entidade no Brasil que tenha capacidade de se opor aos corifeus da morte. Mas as intenções da Campanha da Fraternidade vão muito além desse assunto, que roubou a cena. Quero levar o caro leitor pelos caminhos, ampliados, da busca de mais vida.

Vamos encarar o uso do fumo, causador de morte lenta, mas garantida. Temos notícias, fornecidas pela OMS (Organização Mundial da Saúde), que esse vício ceifou mais de 100 milhões de vidas no século XX. Ele mata mais do que qualquer guerra, mais do que a Aids, mais do que os males cardíacos.

As previsões de mortes no nosso século são lúgubres, uma vez que os fumantes continuam sustentando toda a indústria tabageira, com a maior tranqüilidade, e sem espaço para remorsos. E então, as mortes originadas em acidentes de trânsito clamam aos céus. Quando entrou em vigor a nova lei de trânsito, pensávamos que agora os problemas estariam resolvidos. Mas verificamos que os problemas aumentaram.

Só neste último fim-de-ano houve 2.561 acidentes, com muitos mortos e incontáveis feridos. O que dizer dos homicídios, sempre mais numerosos, no meio de assaltos, tiroteios, facadas, chacinas. A vida pacata se acabou. O número de assaltantes não tem sua origem na pobreza, pois esta está diminuindo a olhos vistos. As causas devem ser buscadas no pouco caso que se estabelece contra a vida (abortos), e na pouca formação religiosa.  Quem não conhece o caminho da igreja, envereda pelas vielas do crime e do desrespeito aos irmãos. E ainda queremos comentar o fraco interesse pelo saneamento básico.

Sem este a saúde pública se complica, a mortalidade infantil permanece nos altos índices (ainda uma vergonha nacional), a gestação das crianças é afetada. O recolhimento dos dejetos domésticos só existe em 47% dos lares. As previsões da solução de tais problemas são sinistras: só em 2.122 (século 22). Onde fica a decantada dignidade humana? Nós como discípulos de Cristo devemos defender e promover a vida. Os imensos desafios devem ser estímulo para o nosso empenho.



 
 
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