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Ainda existe esperança?
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Os Padres Conciliares exortaram a Igreja a abrir diálogo com o mundo moderno, para o bem da própria humanidade. Esse diálogo foi entabulado, mas os avanços foram magros. Nós nos abrimos para muitos valores do mundo, cuja incorporação não desejo, no entanto, comentar pequeno espaço.

Em contrapartida, como Igreja temos muito a oferecer à humanidade: o verdadeiro sentido da vida, a necessidade de reconhecermos o Ser Transcendental, o respeito pela vida humana, a esperança na imortalidade, a observância da lei escrita em nossos corações... Mas parece que neste âmbito só recebemos más notícias.

A instância máxima de nossa segurança jurídica, no Brasil, nos fez vacilar, quando o relator da questão sobre células-tronco, no STF,  apresentou seus argumentos, mais do que contestáveis, sobre o início da vida humana. Por esse lado apagaram-se as grandes esperanças. Agora provém da Europa, uma notícia até lamentável.

É que o Parlamento Europeu, ultrapassando suas atribuições, exortou os países membros, a introduzir oficialmente a prática do aborto. Logo isso acontece num continente, onde os nascimentos são em número menor do que os óbitos. Como são essas “exortações” de poderosos já sabemos. Elas são convertidas em pressões, e depois em punições.

É verdade, o assunto aborto, não é evidente em si mesmo. Necessita de purificação dos interesses. Mas em mentes esclarecidas não deveriam vingar idéias complacentes a práticas, que atentem contra os mais fracos. As esperanças esmaecem vendo que a modernidade não quer ouvir os argumentos da moral cristã. Mas quer impor a idéia de que toda e qualquer prática moderna é um avanço inquestionável.

Tudo é considerado progresso. E que aqueles que ainda não estão acompanhando a novidade, se apressem em modificar suas posições... Ao contrário, o mundo moderno precisa prestar atenção nos princípios do cristianismo, porque eles garantem, mais do que ninguém, o futuro da humanidade. Somos teimosamente firmes na esperança, porque “é na esperança que fomos salvos” (Rom 8, 24), lembra Bento XVI.



 
 
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