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Em linha afirmativa
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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O sacramento do matrimônio está passando por uma fase de amnésia entre a nossa juventude. No Brasil, e também na Europa, como nos demais países de presença católica, o número de matrimônios está despencando.

Muitos jovens, também os que passaram pela Crisma, simplesmente se ajuntam, sem se preocupar se a família é uma instituição que precisa do consenso da sociedade e da Igreja, nem esquentar a cabeça se ficam privados da Eucaristia.

Isso é uma lacuna muito grande na vida cristã. Percebe-se que  existe compreensão insuficiente da graça sacramental do matrimônio. Parece que não se vislumbra mais a bênção que Cristo oferece, para enfrentar com novas  forças uma vida tão cheia de responsabilidades.

Mas acresce a isso um outro mal. Desde o novo Direito Canônico (1983), as nossas atenções se voltaram para as exceções matrimoniais, de forma muito carregada. Foi um ganho, haver maior clareza jurídica, sobre uniões defeituosamente celebradas. Foi um alívio para muitos casais, vivendo infelizes, descobrir que existe a chance de uma nova união, legítima, quando a primeira união teve evidente vício de origem. Prosseguir nesse caminho é uma questão de caridade cristã.

Mas aquilo que é secundário, passou para a primeira plana. A tônica agora não é mais a regra, mas a exceção. O foco está na margem e não no miolo. É preciso descobrir melhor a beleza do sacramento indissolúvel (“os dois formam uma só carne” sg Gen 2,24), sem esquecer a possibilidade das exceções. Os jovens não são mais colocados diante da essência do sacramento. Com isso o matrimônio perdeu valor, e pegou ares de “descartável”.

O doc. de Aparecida foi muito feliz ao falar da família. Declarou-a santuário da vida, e instituição estável. A família cristã deve fundar-se  no sacramento do matrimônio, celebrado entre um homem e uma mulher. Ela é sinal do amor de Deus pela humanidade, e da entrega de Cristo  à sua esposa (Igreja). A partir dessa aliança se manifestam a paternidade e a maternidade, a filiação e a  fraternidade. 

A família chega mesmo  a ser imagem de Deus, que em seu mistério mais íntimo não é uma solidão, mas uma família. Olhando para seu paradigma, ela deve ser indissolúvel, um recanto de segurança, unida pelos suaves laços do amor, sempre disposta a superar as dificuldades que podem deteriorar a pureza de sua doação.

 
 
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