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Apenas trocam-se os sinais
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Durante muitos séculos a opinião pública teve explicações fáceis para sentenciar sobre a gênese dos maiores problemas. Era indiferente analisar dificuldades econômicas, ou políticas, ou até religiosas.

As razões últimas provinham dos judeus, evidentemente. Esse povo teria se apoderado, progressivamente, de todo o dinheiro disponível nos bancos. E emprestava valores a reis e imperadores, com juros elevadíssimos. Eles eram culpados dos problemas religiosos, porque resistiam ao Messias, que saíra do seio desse mesmo povo. A culpa também era deles nos impasses políticos, porque estariam sempre tramando, e jogando uns contra os outros.

Provocando guerras, estariam valorizando os seus depósitos bancários. Vendo o extermínio dos judeus no século vinte, praticado por um governo ateu, vê-se onde acabou toda essa campanha milenar contra  o povo que Deus escolhera para si.

Hoje, no ocidente, ninguém mais fala contra judeus. E até existe uma vigilância mundial, permanente,  contra qualquer veleidade anti-sionista. Mas a tautologia mudou. Lendo grandes revistas nacionais, sob a pena de alguns “dinossauros” jornalísticos, encontraram-se as explicações para todos os males. Agora é a Igreja Católica.

Trocaram-se os sinais. Os males não proviriam mais dos judeus, mas dessa organização arcaica. As heranças maléficas nela se concentram. A defesa destemida da vida,é classificada como uma ignorância sem comparação. Ela seria contra a ciência, e a favor do obscurantismo. 

Estaria se intrometendo em assuntos que não lhe competem. Estaria travando o avanço das pesquisas científicas. Teria as opiniões mais retrógradas do novo milênio. Sua ética causa dissabores ao arrojo da modernidade.

A cruz no peito de um homem público provoca calafrios em jornalistas ateus. Jesus já nos havia alertado que “haveria de chegar a hora em que cada um que vos matar, julgará estar prestando um serviço a Deus” (Jo 16, 2).  A modernidade, até o momento, não foi capaz de fazer silêncio, e ouvir as razões que os seguidores de Cristo tem a fazer, para o mundo ser melhor.



 
 
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