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Assunto que retorna
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Os representantes dos Presbíteros do Brasil se manifestaram, ao término de sua assembléia, sobre assuntos diversos da vida da Igreja. Entre os quais, abordaram um tema que é recorrente.

Trata-se da polêmica disciplina do celibato. Periodicamente a discussão toma roupagens novas e sobe ao palco. Desta vez os Presbíteros assumiram alguns pontos, abordados por nós Bispos, no documento de colaboração para a Conferência de Aparecida. Neste não existe nenhum viés de revolta, mas uma conversa adulta, e de pessoas conscientes de suas responsabilidades.

Ao tratarmos da conveniência de se manter a lei do celibato, e do reaproveitamento, ou não, dos Padres que deixaram o ministério, não deixamos de lado, a nossa co-responsabilidade de pessoas adultas na fé.

O que falam os Padres sobre temas tais, está em sintonia com o que já foi dito. Eu considero os Presbíteros amigos, e companheiros de tarefas pastorais dos Bispos. E por isso não são nossos adversários. Mas, como irmão mais velho na vida de Igreja, ouso fazer algumas considerações.      

1 – Antes de tudo quero alertar que o mundo moderno (ou já é pós-moderno?), de corte iluminista, não gosta dessa disciplina eclesiástica, porque contradiz as convicções da revolução sexual.  Toda vez que houver um escândalo sexual, envolvendo um clérigo, a imprensa, do Oiapoque ao Chuí, se movimenta. São a nossa palmatória. Curiosamente, quando estão envolvidos pais de família, políticos, magistrados, pastores, o assunto não empolga. Por isso, vamos relativizar as pressões de certa opinião pública.  

2 – Os deslizes ou os crimes sexuais de alguns Padres não provém, nem do celibato, nem da formação dos Seminários. As tendências mórbidas já estão presentes na pessoa desde os dois anos de vida. O que o Seminário pode fazer, é ensinar asceses para as vocações normais, que mantenham vivo o ideal de imitar Jesus. E para aqueles que são inadequados para essa vida, é preciso detectar um outro caminho que os leve à realização em Cristo.     

3- Não existe celibato opcional. Ninguém precisa me dizer que os pastores e os Padres ortodoxos, não podem fazer opção celibatária. Simplesmente, a Igreja Católica é a única que recebeu esse carisma,  “tesouro que conservamos em vasos de barro”(2 Cor 4, 7).



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