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Equívocos do Sr. Ministro da Saúde
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Em que pese a sua origem cristã, o ministro José Gomes Temporão se especializou em bater forte na Igreja. A sua área preferencial é o confronto de sua pasta com campos de ordem moral. A psicologia fica encarregada de explicar tal inclinação. Tornou-se quase sua especialidade. Compra qualquer briga que apareça em algum quadrante da pátria, para, numa retórica de diretório acadêmico, expressar pensamentos pouco condizentes com o cargo que ocupa. Já disse muitas jóias peregrinas, a tal ponto que fica difícil fazer uma seleção. Vamos, no entanto, tentar.

1 - Considera que a aprovação da lei do aborto, é uma questão de saúde pública. Pelo cargo que ocupa, o Sr. Ministro deveria saber que o número de óbitos, causados por abortos clandestinos, é muito restrito. Pelos dados que possuímos, além de essa cifra não alcançar duas centenas, nela estão englobados também os casos de abortos espontâneos.  Além do mais, verdadeira questão de saúde pública, é a promiscuidade sexual que ele quer favorecer.

2 -
Também, para reduzir ao silêncio a moral cristã, diz que a restrição da Igreja aos meios anti-conceptivos, só a afasta cada vez mais da juventude. O que está embutido nessa idéia? Que a Igreja, para conquistar o beneplácito dos jovens, deveria renunciar aos seus princípios morais. Ora, em assuntos de moralidade não podem vigorar métodos de democracia, onde a fixação de leis depende da votação da maioria.            

 3 - Ainda, tirando a idéia de diversas intervenções suas, descobre-se que o Ministro não quer opiniões da Igreja, mesmo que estejam envolvidos princípios de moral, quando confinarem com o seu Ministério. Os cristãos não poderiam fazer valer para todos, leis particulares, pois o Estado é laico. Sim, o Estado é, mas o povo não é. Ora, o filósofo Kant ensina que todo princípio moral, se é justo, se torna universal. Assim, mentir não é proibido só para os católicos. É proibido para todos, porque contraria a reta ordem, e o prejuízo da mentira alcançaria a todos. Assim são as restrições morais à sexualidade sem freios. Tudo na vida deve ter limites, para que o positivo seja melhor realçado. A sexualidade humana é um aspecto belo do ser humano. Mas deve ter regras, pois o desregramento prejudicaria a todos.

 
 
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