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Os perigos são reais?
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Desde meus inesquecíveis tempos de professor de Ciências Físicas e Biológicas, (em 1965 eu era Padre novo), já se batia forte contra o desmatamento. Mas vejam, o assunto do dia não era a Amazônia – que na época se considerava protegida, sem problema - mas se fazia crítica firme em cima da eliminação do pinheiro araucária, da embuia e outras espécies nativas do Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso. (Do Rio Grande do Sul já nem se falava mais). Ora, tudo isso já se foi, irreversivelmente. A moto-serra limpou aquelas áreas todas.  Agora chegou a vez da Amazônia.

A rica diversidade de plantas e animais desse último reduto do nosso planeta, parece estar com os dias contados. Não há nada que segure a ganância empreendedora das moto-serras. Certa vez, viajando em rodovia no interior do Pará, cheguei a rodar mais de 300 km dentro da fumaça. Tudo obra da devastação de empresas asiáticas, que escolhiam as árvores melhores para o abate, e depois punham fogo no que havia sobrado.

Não merece fé o que o governo está falando atualmente, sobre providências vencedoras de proteção ao ambiente daquelas regiões. A desertificação continua implacável. A raça humana tem segmentos, em cuja cabeça não é o raciocínio que tem preponderância. Por isso, a linda obra do Criador, naquelas regiões, parece mesmo fadada ao extermínio. Vamos nos interessar por isso tudo, pois o bom cristão deve ser bom cidadão.

Outro perigo, do qual se fala à surdina aqui no Brasil, e às escâncaras em países do G8, é a internacionalização da Amazônia. A volúpia está indomável. Não é difícil aparecer alguém, como o presidente dos USA, que falou mais de 350 mentiras para invadir o Iraque, para nos acusar de incúria, de extinção da fauna e flora, de queimadas irracionais, de acabar com o pulmão do mundo...

A aviação da república do norte não esperaria segunda ordem para invadir nossas florestas, e em 24 horas ocuparia nossas cidades e vilas, sem a mínima resistência. Tudo em vista da salvação da humanidade. Esse perigo existe. Os indígenas de Roraima já falam inglês, lêem a Bíblia em ótica evangélica, e cobram pedágio de brasileiros que passarem em suas terras. Os únicos que acreditam na soberania brasileira, e consideram tudo pura extravagância, somos nós.

 
 
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