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Devemos ter pressa?
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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A mensagem de Cristo é não só uma boa notícia, mas é portadora de vida nova e de salvação. Por isso os primeiros cristãos, tendo um visual histórico mais restrito, imprimiram uma velocidade missionária quase ultrassônica.

Ninguém na história da humanidade conseguiu suplantá-los em sucesso, nesta tarefa evangelizadora. É bem verdade que o comunismo, por força das armas, por meio de material sofisticado de propaganda, e de altíssimos investimentos, tentou fazê-lo. Mas antes de completar 60 anos já começou a implodir irreversivelmente.

Os cristãos, nos primeiros 100 anos foram tão eficientes, que conseguiram implantar o cristianismo em todos os países do império romano, de modo irreversível. Todos tinham em mente: “O tempo urge” (1 Cor 7,29).

Hoje, olhando o Menino, com os olhos dos Magos, reconhecemos que Ele vai ser o Rei das Nações (não em sentido político). Nenhuma força o deterá. Ele será “a luz de todas as nações”.  Mas se olharmos o sucesso desses acontecimentos, verificamos que estamos muitíssimo aquém dos sonhos que alimentamos. Os grandes sonhos bíblicos do Reino de Deus, ainda não se realizaram. Pelo menos, no seu sentido mais profundo.

Cristo ainda não é reconhecido como o centro da história, o âmago da ciência, o motivador das grandes ações da humanidade, o objetivo a ser alcançado por todos. Nem muito menos, Deus é a grande força em tudo e em todos. Devemos nos decepcionar, achando que “não está dando certo”? O que não pode suceder, é entrarmos em estado catatônico.

Não pode acontecer que sejamos cães que não ladram. Os romanos, de cuja  língua se origina a fala portuguesa, já diziam: “festina lente”. É como se dissessem: “apressa-te com calma”. Dentro do contexto da história, se compararmos a história da humanidade a um dia de 24 horas, então estamos apenas na altura das seis horas da  manhã. Nisso nos amparamos nas próprias  palavras de Cristo, que deu alguns sinais da proximidade do fim da história. Parece que o tempo que temos pela frente é de uma dimensão a perder de vista. Por isso, o triunfo dos objetivos de Cristo tem muito tempo pela frente.



 
 
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