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O feminino na igreja
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Homem e Mulher, na vida real, tem grandes semelhanças, seja no aspecto intelectual,  na dignidade e em muitas outras perspectivas.  Mas tem profundas diferenças, que não devem ser avaliadas como problemas, mas ao contrário, como enriquecimentos.

Vive la difference” dizem os franceses. Tais diferenças são físicas, psicológicas, de interesses, de capacidades... Na realidade podemos falar de complementação recíproca, superando a idéia imperfeita de a mulher ser vista apenas como a plenificação do varão.

Um necessita do outro para a sua realização psicológica e física. Na iniciativa da criação o Poderoso coroou toda a sua obra, colocando no topo o homem e a mulher, para serem aqueles que de tudo usufruíssem, mas também que tudo administrassem com critério. “E Deus viu que tudo o que fizera era muito bom” (Gen 1, 31).

No decorrer da história o respeito pela mulher passou por vicissitudes mil. No tempo dos gregos e romanos, as mulheres passaram  por maus pedaços. Elas passaram milênios sob um jugo rude e despersonalizante. Em compensação, na mitologia criaram-se as deusas, nas quais se exteriorizava a admiração pelo eterno feminino. O que era largamente insuficiente.

O cristianismo valorizou muito a figura da mulher, pelo fato de reconhecer sua dignidade de filha de Deus, em igualdade com a  do varão. Soube vislumbrar a capacidade infinita da mulher de se doar aos outros. Como corolário veio o reconhecimento do seu papel quase sublime de mãe e de esposa.

O mundo moderno, em gesto inconsciente, ajuntou os valores embutidos no cristianismo, e exigiu a valorização da sexualidade feminina e da sua realização pessoal. (Como na Bíblia já se faz no “Cântico dos Cânticos...). Como sói acontecer entre humanos, passou-se de um extremo a outro. A modernidade encalhou no pântano sem saída, da defesa irrestrita do aborto.

E pior ainda: não quer ouvir o evangelho, que defende a vida dos mais fracos. Nada melhor do que volver a atenção para um paradigma feminino, aurora de esperança para todas as mulheres. Trata-se da Mãe de Jesus, Maria. Diante dela a Igreja exclama sem desfalecer: “Bendita és tu entre as mulheres” (Lc 1, 42).



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