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O mesmo “EU” permanece
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Nos tempos pós-conciliares apareceram muitos teólogos, querendo romper com a tradicional explicação da composição do ser humano em corpo e alma. Começaram a alegar que nós, os humanos, seríamos uma unidade tão completa, que não haveria a mínima chance para uma separação entre a alma e o corpo,  na morte.

Desde os filósofos gregos, acompanha a mentalidade cristã a idéia desse composto humano (matéria e espírito), único em todo o universo. A filosofia antiga chamava o homem de “microcosmo”, por ser o resumo mais cabal de todas as realidades possíveis de existir.

As novas teologias, tentando ultrapassar as dificuldades e as obscuridades dessa explicação, e mantendo a fé na vida eterna, ousaram inovar.  Afirmaram que não existem no homem duas realidades compostas (alma e corpo). Mas que o ser humano é um conjunto único. Ao morrer – com grande generosidade o afirmavam – os humanos recebiam imediatamente a graça da ressurreição.

Mas aos poucos a boa lógica volta. Agora talvez, com melhores explicações.  Afirma-se, sim, que o nosso corpo vai mudando as células todas, durante a vida. A matéria é periodicamente substituída. Assim mesmo o corpo é aquilo que me dá identidade. Se eu dou meu currículo de vida, eu dou data de nascimento, filiação, estudos, aperfeiçoamentos. Meu corpo me dá relações de nacionalidade, de parentesco, de comunidade religiosa. Mas ele termina, com a morte.

O que há em nós de imperecível é a alma. Ela sempre é idêntica a si mesma. O nosso “eu” atravessa todas as vicissitudes da vida, e até a morte. E Deus, nosso sábio Pai, nos fez para sermos eternos. Por isso Ele nos ama.

E o amor é assim: ou é eterno, ou não é amor. O salmista descobre a sobrevivência após a morte: “Não abandonarás minha vida no sepulcro, nem deixarás que teu santo experimente a corrupção” (Sl 16, 10). O salmista entende  que a comunicação com Deus é mais forte do que a destruição do corpo: “Quanto a mim, estarei sempre contigo...estar junto de Deus é o meu bem” (Sl 73, 23). O amor exige eternidade. 

A ânsia da imortalidade supera o eu, para buscar uma comunidade com o tu, que é o mistério infinito do amor. Estar com o Pai é a plenitude do mistério da vida

 
 
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