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Conselho de Habermas
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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O diálogo entre a Igreja e o mundo moderno não está nada fácil. Tornou-se uma avenida de mão única. Só as idéias de cunho secularista tem veiculação livre. Veja algumas tônicas consideradas definitivas :  a ciência é o único saber que oferece a verdade; o desenvolvimento do mercado é o único modelo econômico possível; o humanismo é a alternativa como projeto de salvação; as utopias do progresso desalojam as esperanças da imortalidade religiosa; as ideologias da auto-estima exacerbada põem de escanteio o conceito de Divina Providência...

Da nossa parte, procuramos aprender muito do mundo de hoje, segundo o sábio ensinamento de São Paulo: “examinai todas as coisas e ficai com o que é bom” (1 Tes. 5, 21). Desse mundo conturbado, mas belo assim mesmo, adotamos os valores dos direitos humanos, o respeito pela dignidade das pessoas, a liberdade de crença, e as vantagens da democracia.

Em contrapartida os pensadores modernos não aceitam nossa maneira de entender a dignidade humana (somos filhos de Deus); sentem resistência diante da perspectiva da vida eterna ( a nossa visão é muito mais completa); não querem pensar sobre nossos valores da ordem familiar (união indissolúvel, respeito pela vida)...Parece que entramos numa fase de marcha em ponto morto. A resistência do lado secularizante  se manifesta não só em ser contra nossas posições, mas especialmente  em  não querer ouvir nossos argumentos.

Qualquer posição da Igreja em assuntos de moral levanta uma ira irrefreável. Então, como vamos trabalhar, aproveitando os pequenos laivos de boa vontade que aparecem? Usando a sua maneira de pensar! Não falaremos mais das afirmações da Bíblia, nem que os comportamentos errôneos provocam a ira divina.

Mas conversaremos sobre os nossos valores cristãos, apelando para as leis da psicologia, para os direitos humanos, para os princípios da boa lógica, para a dignidade humana. Os homens e as mulheres que representam a modernidade fariam muito bem em ouvir Habermas (filósofo alemão e agnóstico), que diz: “Os filósofos devem  ouvir os representantes das religiões, pois eles tem muito a nos ensinar” (in “Dialética da secularização”  Habermas x Ratzinger).

 
 
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