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Bolero de Ravel
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Nos meus já longos anos de vivência episcopal, tenho encontrado muitos profissionais da imprensa, tarimbados na arte da comunicação, e cheios de ideais em favor da formação de uma opinião pública construtiva. O Concílio ensina (Inter Mirifica, 5) que a humanidade tem direito à informação, e que a “caridade edifica(1 Cor 8,1).

Firmemente assinalado o louvor, nada impede, contudo, de olharmos também para as mazelas. Não raro vi maus profissionais, insones atrás de vítimas, para aplicar-lhes a burduna. Vi muitas personalidades “capotarem” para a destruição, incapazes de superar os obstáculos e armadilhas, antepostos por certos  agentes dos noticiários.

Vejam bem, certos maus elementos da sociedade precisam ser vigiados pelos comunicadores (o poder inibidor da justiça é altamente insuficiente). A superação de suas más influências torna-se um imperativo. Uma sociedade sadia sabe neutralizar os mal intencionados, cujas atividades são um atraso para a humanidade.

Você, no entanto, dirá,  se  algumas invectivas dos meios de comunicação, devem ser aplaudidas ou repreendidas. Refiro-me a algumas campanhas monocórdias, disparadas com extrema contundência, e repetidas “ad nauseam”, contra certas pessoas.

Vamos, a título de recordação, trazer ao tablado algumas dessas campanhas, que viraram assunto obrigatório por muitos meses, em todos os noticiários: Ponte Rio-Niterói;   Ferrovia do aço;   Projeto nuclear;   LBA de Rosane Collor;   PC Farias;  Sarney em busca de cinco anos de presidência;  Ferrovia Norte-Sul;   República dos sete anões;   Cassação de F. Collor;   Ibsen Pinheiro;   Orestes Quércia;  Proer (salvando Bancos);   Árbitros de futebol;  Pedras semi-preciosas (Abi Ackel);  Bateau Mouche;   Guarda-chuvas (Alceni Guerra);  Sexo em escola infantil;  Máfia da Previdência;  Menores da Candelária;  Polícia de Diadema;   Roberto Jefferson;  falcatruas  do PT; Células-tronco;   Calheiros;   Escândalo do mensalão...

Algumas dessas campanhas foram memoráveis. Outras foram lamentáveis, pelas injustiças cometidas e nunca reparadas. Louvor a quem o merece. Repreensão a quem não se informou bem. Mas todos até que poderiam reduzir um pouco o espaço, para conforto geral, para não termos a reação que temos diante do bolero interminável de Ravel.



 
 
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