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Rompendo o silêncio.
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Não responde aos gostos do mundo moderno exaltar a vida da Igreja.  Notícia boa não vende. Para despertar o “ibope” é preciso dar uma remexida em maus acontecimentos, protagonizados por uns pobres Padres, que deram algum passo em falso. Esses escorregões – que de resto não justifico – se tornam assunto obrigatório para vários meses. E com isso fica prejudicada a honra da maioria dos Presbíteros.  Como considero mais do que oportuno, quero comentar hoje com meus amigos, uma vida humilde e luminosa de um sacerdote fiel.

Quero levar meus leitores às montanhas do Sul de Minas, mais precisamente, para uma modesta cidade, chamada Ilicínia. Lá viveu por quatro décadas Mons. Francisco Figueiredo,  que eu cheguei a conhecer de perto. Ele representa o que de melhor nosso povo cristão espera de um Padre.

Foi sempre exemplar na vivência de sua vocação sacerdotal. Tornou-se referência de espiritualidade cristã para toda a comunidade. Ainda no domingo anterior à sua morte (morreu com 86 anos), celebrou cinco Missas para atender às necessidades do seu amado povo. Dentre tantas qualidades, de que foi possuidor, quero destacar apenas duas. A primeira se refere à vida intelectual.

Ele foi um “pensador do interior”, quase chego a dizer que era o maior da sua cidade. Tive oportunidade de ver a sua biblioteca particular, repleta de ótimos livros. Tais volumes eram por ele constantemente compulsados. Era um homem atualizado na caminhada da Igreja (nunca faltava às reuniões do clero), e enfronhado nos problemas atuais.

É claro que teve a oposição de maus pensadores na sua terra. Mantinha programas radiofônicos diários, com bons conteúdos, e de permanente oportunidade. A segunda qualidade que quero destacar é a sua liderança civil. De seu coração de Padre nasceu a Rádio local, permanente fonte de boas informações. Também foi obra de seu zelo pelo povo, a construção do Hospital, permanente alvo de suas atenções. Nem a lavoura e a pecuária, em níveis melhores, escaparam de suas atenções.

Foi um líder, sem espalhafato. Era um homem que tinha opiniões lúcidas, que nem sempre agradavam. Posso parafrasear o que Jesus disse de Natanael: “Eis um verdadeiro israelita em quem não há dolo” (Jo 1, 47).



 
 
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