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Equívoco entre irmãos?
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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A fé no “Senhor Jesus” (At 16, 31), que temos no coração, não devemos só mantê-la oculta e reservada para nós, mas é necessário proclamá-la para os que conosco vivem. É uma questão, não de arrogância, mas de definição perante os profundos mistérios da vida.

Tal postura, durante o percurso da história, tem ocasionado muitas profissões públicas das convicções de fé, e até proporcionado a palma do martírio. “Abandona a tua fé em Cristo, e serás libertado”, foi a permanente tentação, jogada aos religiosos, aos intelectuais católicos, aos praticantes da caridade.

E milhões de vezes o mundo escutou a firmeza da resposta singela: “Eu creio em Jesus, meu Salvador”. Levada pela necessidade de expressar publicamente as convicções religiosas, a comunidade cristã sempre teve a iniciativa de promover procissões e caminhadas públicas pelas ruas.

Tiveram alguns grupos de comunidades cristãs, de corte pentecostal, e não vinculados à Igreja Católica, a feliz idéia de promover, nas ruas de São Paulo, uma “Marcha para Jesus”

A iniciativa, coroada de êxito, já existe há vários anos. É uma multidão realmente notável, de todos os credos evangélicos, que toma conta das ruas paulistanas. Há caravanas que provém de muitas partes do Brasil, e se fazem notar pelo volume humano que desfila, mostrando a sua fé em Jesus. Parabéns!

Mas existe um porém, de viés anti-ecumênico, nesta parada da fé. Os organizadores convidam todos os agrupamentos evangélicos, os tradicionais e os recentes. De alguma forma, todos se sentem irmãos, professando a mesma fé na pessoa de Jesus.

Os grandes ausentes, não oficialmente convidados, são os católicos. Pelos organizadores, não somos considerados cristãos, seguidores de Cristo. E todos nasceram da inspiração, professada pela Igreja.

É uma lacuna lamentável. Nós podemos ter acentuações diferentes em assuntos teológicos, mas não menos do que ninguém, somos de Jesus, há mais de 2.000 anos. Basta alguém examinar os textos da maior oração católica, que é a Missa. Nela fica nítida a profissão de fé: “só Vós sois o Santo”. E se alguém ainda não se convencer, olhe o texto da Conferência de Aparecida. Será uma verificação definitiva.

 
 
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