Colunas
 
Novas perspectivas para o leigo cristão.
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
Leia os outros artigos
 

No documento programático de Aparecida, escrito pelos Bispos da América Latina, abrem-se novos horizontes de atividades para os católicos leigos. Ainda não possuímos o texto final que, num gesto filial, os Bispos submeteram à aprovação daquele que é a cabeça do Colégio Episcopal, Bento XVI. Dentro de poucas semanas já teremos em mãos esse precioso texto. Mas, pela mensagem oficial provisória, composta pelos próprios Bispos, podemos sentir que a Igreja espera ter um “laicato amadurecido, co-responsável com a missão de anunciar e fazer visível o Reino de Deus”.

No presente momento o caro amigo há de convir comigo: os Leigos estão apagados da vida pública brasileira. Há um deserto de lideranças católicas no âmbito da opinião pública. Os políticos, os sociólogos e os comunicadores falam o que bem entendem, e não aparece nenhum líder católico para dizer o pensamento da Igreja. Uma notável exceção é o jurista Ives Gandra Martins, que é ouvido até pelos Ministros do STF. Ele dá um testemunho notável.

De resto, o país é uma enorme planície, na qual não sobressai nem mesmo um outeiro. Tudo fica para os Bispos: combater uma novela inconveniente,  fazer propostas legislativas no campo da bio-ética, opor-se à corrupção, desfazer equívocos...Não existe uma instância intermediária na comunidade eclesial. Falta-nos um batalhão de Leigos esclarecidos e competentes. (Ah, apareceu um tal de Prof. Aquino. Mas por um  erro cometido, levou borduna pública por três semanas).

Já estivemos melhores. Durante muito tempo o Centro Dom Vital produziu leigos de grande valor intelectual e de fé: Alceu Amoroso Lima, Gustavo Corção, só para lembrar alguns. Também nos primeiros tempos do Cursilho, da Pastoral Familiar, e da Renovação Carismática, tivemos ótimos expoentes (homens e mulheres), que testemunharam o evangelho de Jesus. Hoje parece que a maioria tem medo de levar soco na cara, e sentem anemia para batalhar por Jesus Cristo. 

Para trabalhar dentro da Igreja (p.ex. nas equipes de liturgia), encontramos muitos e excelentes colaboradores. E isso é ótimo. Mas encontrar valorosos leigos, que militem no vasto mundo secular da Família, da Economia, da Justiça, das Comunicações, e da Saúde, está bem mais difícil. A Igreja precisa de multidões de homens e de mulheres, “cheios de fé e do Espírito Santo” (At 11, 24), que tenham coragem de apresentar os valores imperecíveis do Reino.

Eles poderão superar os Bispos, nos seus próprios campos de competência. Só assim seremos uma  Comunidade viva,  que não tenha medo nem de derramar seu sangue por Cristo.



 
 
xm732