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Um para trás, dois para frente...
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Queiruga, escritor católico espanhol, não quer que se fale mais em “pecado original”, por soar mal aos ouvidos contemporâneos.  Mas os fatos continuam indigitando um DNA das más inclinações, que confirma São Paulo: “Não faço o bem que quero, mas o mal que não quero” (Rom 7, 19).

Essa tendência, que nos puxa para  o chão, explica por que os comunicadores  exploram bem essa nossa tendência, dando realce aos confrontos, aos crimes, aos desastres e às contestações, em vez de batalhar pela vitória  explícita da verdade positiva.

“A virtude não vende jornal”.  Isso também explica por que certos veículos de comunicação, antes, durante,  e depois da visita do Papa, deram a palavra aos seus detratores, divulgando muitas idéias contrárias ao que ensina o Pontífice. Foi assim que receberam as vantagens dos holofotes os Temporões,  os Leonardo B. da vida, e até alguns homens de Igreja, de menor projeção.

Fico me interrogando sobre o porquê dessa tendência geral. O bem não alcança uma vitória serena, mas apenas através de imensas dificuldades, de suor, de confronto com muita cara feia, e de respiração ofegante. “Aquilo que não é difícil, não vale a pena”, diz a sabedoria popular. Parece que a nossa natureza não suporta ver o bem triunfar, sem apreciar seu desempenho diante de eventuais armadilhas.
 Antes de tudo parece que se trata de um erro filosófico.Não existe - pensam eles - nem o bem nem a verdade  objetivas. Bem e verdade é aquilo que se  ajusta à minha ideologia”.  É a derrubada de um critério fundamental do pensamento humano.

Em segundo lugar, todos tem a pretensão de serem “espíritos abertos”, e não se ater, colericamente, ao que é certo. “Vamos ouvir também as outras razões. Um pouco de desordem faz parte da ordem”.  E com isso a conversa se estica, até ser atropelada por novos acontecimentos, e sem chance para a exploração positiva do assunto em foco.

É o que aconteceu com a Exortação pós-sinodal “Sacramentum Caritatis”.  Alguns maus comunicadores, com um simples peteleco, nos colocaram na defensiva, por pelo menos um ano. (Devem estar rindo até hoje). Em vez de comentar os pontos essenciais da magistral exortação, comentaram pontos não existentes, absurdos jamais proferidos, meias verdades deturpadas.

Com esse soco na boca do estômago, vamos precisar nos refazer, e só depois teremos condições de aprofundar o ensinamento. Mas então, sem holofotes. Antes de esquecer. Se você for convidado, por uma grande televisão, a dar uma entrevista sobre assuntos de Igreja, antes desconfie um pouco da sua fama...



 
 
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