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Há discriminações e discriminações...
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Não poderia faltar. Em programa de televisão, houve pergunta de ouvinte, que queria saber de mim, se negar a comunhão eucarística aos unidos em segunda união, não seria um caso clássico de discriminação.  Antes de prosseguir, quero falar que tenho por esses casais recasados, grande estima; e naquilo que é possível sempre estou disposto a ajudá-los e mostrar-lhes compreensão, porque são filhos de Deus e da Igreja.

Mas quanto à discriminação, no caso citado, vamos devagar. Eu vou dar o meu parecer, e você caro amigo, terá a liberdade  de aceitar, ou não, a minha explicação. Quanto eu entendo, discriminar é tratar de modo diferente quem tem direitos fundamentais iguais. Assim, batizar o filho de um casal que mora na cidade, sem fazer o respectivo curso de preparação, mas do casal que mora na roça fazer exigências do curso,  é discriminar. A ira contra a discriminação se torna grande, porque na maior parte das vezes não depende de escolha, mas vem da própria natureza ou de circunstâncias incontroláveis.

Fazer exigências ou impor proibições por causa de raça, sexo, religião, língua, limitações  físicas, ou condição social vai contra a filiação divina. “Não há mais diferença entre judeu e grego, entre escravo e livre, entre homem e mulher, pois vocês são um só em Cristo Jesus” (Gal 3, 28). Esse tipo de discriminação, acima descrito, também causa náuseas a uma sociedade democrática. É mesmo um aprendizado que deve ser estimulado nos primeiros anos  de formação de um cidadão. Aqui realmente se trata de uma discriminação injusta, e que não pode ser tolerada.

Segundo o meu entender,no entanto, pode haver discriminação justa. Quando a origem da diferença vem de escolha pessoal. Trata-se de verdadeira opção, escolhida livremente. Assim, impedir a entrada no clube de quem não quer pagar seus débitos, segundo o regulamento da instituição, é uma discriminação justa. Deixar o inadimplente gozar dos mesmos direitos, de que gozam os fiéis pagadores, seria uma discriminação injusta contra estes últimos. 

Também os queridos casais em segunda união vão entender  que, sua situação está em desacordo com o que Jesus ensinou. Por isso vão aceitar, com espírito penitencial, essa ausência na mesa eucarística. Mas daremos a eles uma outra discriminação justa, que nasce do Coração de Deus: dar-lhes-emos favores em outros âmbitos eclesiais (citados por Bento XVI) , como fazemos com pessoas amadas que precisam de ajuda. São nossos irmãos e irmãs na fé, que suportam essa dor na amizade com Deus, que compreende todos os corações.



 
 
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