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Perigos para a fé hoje
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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O grande tesouro da fé nós o guardamos em vasos de cristal, muito frágeis. É sempre de novo necessário repetir a humilde oração do pai do menino, curado por Jesus: “Eu tenho fé, mas ajuda a minha falta de fé” (Mc 9, 24). Essa graça do Espírito de Jesus, de poder dizer de coração “eu creio, Senhor” é um dom inestimável.

À medida que procuramos praticar o que cremos, na proporção em que oramos e procuramos esclarecer pontos mal compreendidos, a fé cresce e influencia sempre mais a vida. Mas  também pode ocorrer o inverso. Por omissões nossas, por interferências estranhas, podem as nossas convicções religiosas perder consistência. O vaso é quebrado e seu precioso conteúdo se perde.

E aí encontramos gente de coração seco, de mentes desprovidas de horizontes, de vidas desmotivadas para objetivos reais.  Quero expor em seguida, de maneira sucinta, dois graves perigos que ameaçam as riquezas da nossa fé (que essencialmente consiste em aceitar Cristo como Salvador e Filho de Deus).

1 – Nos dias de hoje, não raramente, a ideologia positivista entra, subrepticiamente,  para prejudicar a vivência religiosa. Comte, iludidamente ensinou que a humanidade teve três tempos. A primeira teria sido a fase teológica. A segunda a metafísica, e a terceira (definitiva) a positiva. Os pensadores posteriores mostraram que esses três estágios são simultâneos, e podem conviver  na mesma pessoa . Mas nos dias atuais entrou o neo-positivismo, que só aceita como realidade aquilo que manifesta o mundo perceptível. Quem não é mais capaz de se alçar ao pensamento metafísico, não consegue mais crer na divindade, e nos valores invisíveis. Só vale a experiência concreta. Tais pessoas “vivem como se Deus não existisse”, analisa São Paulo.

2 – Deus me livre de abrir litígio com os professores de Faculdades. Eles ajudam a levantar o país, e formam legiões de brasileiros úteis para o nosso tempo. Mas alunos vieram se queixar de certo professor, uma dessas “almas secas”, por obrigar os alunos a ler livros, não sobre as provas da existência de Deus, de Aristóteles, mas publicações  abertamente contrárias à fé, forçando-os a apresentar seu resumo em aula. E ainda mais,  mandando fazer “trabalhos escolares”, que abordam temas em aberta contradição com  as convicções religiosas do aluno. E se não fizer, vai haver diferença nas notas e avaliações... Você já ouviu falar disso? O cristão culto não afunda com tais invectivas. Mas há os que se perdem. “Só quem perseverar até o fim será salvo”  (Mt 10, 22).



 
 
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