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Caminho seguro
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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Segundo alguns sinais muito claros, a quaresma, de acordo com um pressuposto cristão,  não goza mais de aceitação fácil, dentro da nossa sociedade.

Basta olhar umas pequenas demonstrações: o carnaval não termina mais na quarta feira de cinzas, mas se prolonga, em muitos lugares, até o domingo seguinte; durante a semana santa, quem tem possibilidade, viaja ou se refugia nas fazendas, onde a cerveja e o churrasco quebram a monotonia;  no sábado santo promove-se o “baile de aleluia” onde comparecem, não os que fizeram as reflexões sobre a vida e paixão de Cristo, mas antes os que nada fizeram diante do sofrimento de Jesus;  em muitos lugares, na sexta feira santa, sempre considerado um dia de silêncio e de luto, promovem-se solenes forrós, mantendo acordado o povo todo com a potência dos alto-falantes.

Não se pode negar, no entanto, o sacrifício de conversão de tanta gente, que jejua nas sextas feiras;  não come carne ou doces durante toda a quaresma;  reza com mais freqüência;  colabora com dinheiro no domingo de ramos, em favor da Campanha da Fraternidade;  faz a sua confissão em preparação à Páscoa;  ajuda mais a seu próximo. Em suas mentes  está viva a advertência de Jesus: “Se não vos converterdes todos perecereis” (Lc 13,3).

Está acesa a discussão em nosso país, de punir exemplarmente os menores infratores, abaixo de 18 anos, e de enquadrá-los numa reeducação mais prolongada. Tudo isso pode até ser considerado. Mas o problema é mais amplo. De que adianta enxugar o chão, se existe  uma torneira aberta, espalhando água? 

O problema está numa sociedade super tolerante, que apelida de fundamentalismo todo o esforço ético. Causa-me estranheza o silêncio generoso dos pais diante de um programa deletério, como é o BBB. Em muitos ambientes não existe mais o conceito de “certo” e de “errado”.

Então, falar de moralidade, passou a ser uma obscenidade. Falta a convicção de que uma educação amorosa supõe limites e renúncias. Hoje as crianças e os adolescentes tem direito de responder aos pais, e à professora na escola. Na própria família, pouco se educa para os deveres de estudar, de ajudar nos trabalhos, de respeitar a propriedade alheia, de tratar com carinho os mais velhos, de ter compaixão para com os mais fracos.

Desse jeito, nos lares onde o pai e a mãe se omitem, criaremos milhares (milhões?) de novos delinqüentes. Jesus já nos advertiu: “Entrem pela porta estreita. Espaçoso é o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ele” (Mt 7, 13).



 
 
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