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Hora para tudo?
Por: DOM ALOÍSIO ROQUE OPPERMANN
SCJ ARCEBISPO DE UBERABA, MG
 
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A vida humana não se reveste de um cunho retilíneo. A monotonia da reta é aperfeiçoada pelas sinuosidades, pelos altos e pelas depressões. A variação, além de nos aportar prazer, nos introduz em nova fase da vida. “Varietas delectat” (a variedade nos deleita),já diziam os romanos. Realmente, a existência humana se concretiza num rosário de acontecimentos alegres  e tristes, de luto e de festa, de penumbra e de luz.

Por meio desses momentos diferentes somos levados a uma nova vida. Eis porque o trabalho é intercalado pela festa, o luto é superado pela alegria, e a falta de perspectiva é postergada pela esperança. “Existe um tempo para cada coisa” (Ecl 3, 17).

Nada para admirar se a liturgia da Igreja soleniza a presença do Salvador pelo seu Natal, pela festa de Pentecostes, pela solenidade da Páscoa...Agora ainda somos introduzidos no tempo da quaresma (conversão para o evangelho), cujo pórtico é o carnaval, entendido por muitos como tempo de folguedo e de suspensão das preocupações cotidianas.

Se existe uma gama de variações sucessivas, não podemos desconhecer que a nossa psicologia  exige alguns valores referenciais permanentes. É o pano de fundo da vida, diante do qual se desenrolam as movimentações constantes das novas motivações, que se alternam. Você deve ter três constantes, que não admitem substituições.

A primeira delas é o esforço contínuo pela sua realização pessoal. É o projeto de vida, que o leva a ter satisfação no seu existir, e sentir-se útil. A segunda constante é o espaço que você reserva ao amor pelo seu semelhante. Esse amor não pode faltar, sob pena de atolar a sua vida na insignificância.

A terceira constante, não menos importante, é você abrir um generoso espaço no seu coração para o único Ser Necessário do universo: nosso Pai Criador, o Ser amoroso por excelência. Sem essa tendência irreprimível para o absoluto, você não consegue entender para onde estamos caminhando.

Se há “um tempo para tudo”, no entanto para alguns estados de alma não pode haver espaço jamais, porque são estados ilegítimos e que levam para uma  situação de morte: é o ódio contra o semelhante, o esbanjamento, e a falta de compostura moral. Nem no carnaval podemos abrir a guarda e admitir esses contravalores. Eles nos introduzem na letargia da morte.



 
 
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